Bush viaja para apoiar ingresso da Ucrânia e Geórgia na Otan

Presidente norte-americano também vai pedir à organização que aumente número de soldados no Afeganistão

Efe,

30 de março de 2008 | 18h18

Um forte apoio à Ucrânia e à Geórgia, e um pedido para aumentar o número de soldados no Afeganistão, será a mensagem do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em sua ida ao Leste Europeu que começa nesta segunda-feira, 31, com a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Bush não pedirá à Alemanha que envie tropas ao Afeganistão Bush partirá durante a madrugada (hora local) para uma viagem à Ucrânia, Romênia, Croácia e Rússia, esta última anunciada praticamente no último momento, com a intenção de se despedir de Vladimir Putin, presidente russo com o qual manteve uma relação cheia de altos e baixos ao longo de oito anos. O "prato principal" da viagem será, naturalmente, a cúpula da Otan em Bucareste entre quarta-feira e sexta-feira, onde encontrará Putin pela primeira vez. Espera-se que os aliados convidem a Croácia, Macedônia e Albânia a ingressarem na organização e abordem a possibilidade de um "plano de ação" que abra o caminho para a entrada futura da Ucrânia e da Geórgia. Putin se opõe à entrada da Ucrânia e da Geórgia - antigas repúblicas soviéticas - na órbita da Otan, exatamente uma das premissas em que os Estados Unidos se mostram mais firmes. "Acho que uma das mensagens que devemos enviar é de que há um claro caminho pela frente para a Ucrânia e a Geórgia", disse Bush esta semana em uma entrevista à imprensa européia oriental. "A Otan se beneficiará, a Ucrânia e a Geórgia se beneficiarão com o ingresso." Essa posição é confrontada pela Alemanha, França, Espanha e por outros governos ocidentais de peso, que não estão convencidos de que seja o melhor momento para encorajar Kiev e Tbilisi, ante o temor das repercussões que isso possa ter nas relações com Moscou. Afeganistão e outros encontros O presidente americano pretende pressionar também os aliados para um aumento das tropas da Otan no Afeganistão. "Parte de nossa missão coletiva na Romênia para a reunião da Otan é encorajar o povo a levar a sério nossas obrigações", explicou durante a coletiva. Os Estados Unidos prometeram o envio de 3.200 efetivos da infantaria da Marinha para uma força internacional que conta com cerca de 56 mil soldados - apenas um terço do efetivo norte-americano no Iraque, um país de menor tamanho e situado em uma região menos hostil que o Afeganistão. Durante sua estada na Romênia, Bush se reunirá também com o presidente Traian Basescu e o primeiro-ministro Calin Popescu-Tariceanu. Expressará a eles que a realização da cúpula da Otan ali é "testemunho de como a ampliação da Aliança contribuiu para a transformação, com sucesso, da Romênia e de outras novas democracias", nas palavras do conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley. Uma mensagem similar de apoio às reformas democráticas será o alvo da primeira etapa de sua viagem, a Kiev, onde se reunirá com o presidente ucrâniano Víctor Yushchenko e a primeira-ministra Yulia Timoshenko.  Após Bucareste, a viagem presidencial levará Bush à Croácia, um dos países que serão convidados a fazer parte da Otan. Durante sua estadia, o presidente se reunirá com as autoridades do país e participará de um almoço com os representantes dos três novos países convidados a integrar a aliança. A viagem culminará em Sochi, uma cidade do balneário russo às margens do Mar Negro, onde acontecerá, possivelmente, a última reunião entre Bush e Putin. Em 2000, as relações entre os dois países se esfriaram gradualmente. Nos últimos meses foram motivo de irritação: a independência do Kosovo, reconhecida por Washington, e os planos dos Estados Unidos de colocar um escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca. O objetivo da reunião, que em princípio será assistida também pelo sucessor de Putin, Dmitri Medvedev, recentemente eleito, é deixar as relações encaminhadas "de modo que estejam em boa forma para entregá-las a seus respectivos sucessores", segundo Hadley. Washington indicou sua disposição de abordar, durante essa reunião, o escudo antimísseis com a intenção de "dar confiança" à Rússia de que o sistema no se dirige contra Moscou.

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