Calma volta à Grã-Bretanha após distúrbios

Após quatro noites de saques e vandalismo, as cidades britânicas parecem estar mais calmas nesta quarta-feira, depois de o governo mobilizar reforços policiais e prometer agir com firmeza para restaurar a ordem.

MATT FALLOON E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

10 de agosto de 2011 | 19h45

Às 21h30 (17h30 em Brasília), os incidentes se limitavam a escaramuças e confrontos isolados entre tropas de choque da polícia e grupos de jovens.

Mas, com 16 mil policiais nas ruas, o clima em Londres -- sede da Olimpíada de 2012 -- ainda era de tensão, e grupos de moradores se encarregavam de vigiar bairros para evitar saques, incêndios e arruaças.

Outras cidades inglesas que registraram distúrbios nos últimos dias, especialmente na noite de terça-feira, caso de Manchester, Liverpool e Birmingham, também pareciam mais calmas na quarta.

"Precisamos de uma reação, e uma reação está em curso", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, após se reunir na quarta-feira com o Cobra, comitê governamental de combate a crises. "Todos os recursos que a polícia precisar ela terá."

O governo nega que os distúrbios tenham relação com os impopulares cortes de gastos públicos, adotados para fazer frente ao enorme déficit público. Segundo as autoridades, trata-se de "criminalidade pura."

A indignação popular diante dos ataques contra estabelecimentos comerciais parece ter reforçado o argumento do governo. Nos saques, muitos itens supérfluos -- televisores, joias, bebidas e doces -- estavam sendo levados, e muitos pequenos estabelecimentos familiares foram atingidos.

Mas líderes comunitários e alguns dos próprios envolvidos nos distúrbios dizem que a violência é reflexo da frustração das camadas mais pobres no país, que tem um dos maiores índices de desigualdade social no mundo desenvolvido.

"Eles elevaram tarifas, cortaram benefícios para crianças. Todo mundo usou isso como uma chance para desabafar", disse à Reuters um homem que participou dos incidentes no bairro londrino de Hackney (zona leste).

O jornal Independent, de linha liberal, disse que "este perturbador fenômeno precisa ser entendido como uma conflagração agressiva por parte de uma subclasse social e economicamente excluída."

O direitista Daily Telegraph foi menos tolerante. "Os bandidos devem ser ensinados com dureza a respeitar a lei. Esses distúrbios envergonharam a nação, e o governo deve ser responsabilizado."

Os distúrbios começaram no sábado, após um protesto pacífico contra a morte de um homem, afro-caribenho, baleado num incidente com policiais.

Em seu pronunciamento, Cameron não fez referência aos problemas sócio-econômicos nos bairros mais pobres, mas admitiu que "há bolsões na nossa sociedade que não estão apenas quebrados, mas francamente doentes."

O premiê conservador costuma dizer que consertar a "Grã-Bretanha quebrada" é uma prioridade do seu governo.

Nos quatro dias de distúrbios, mais de 1.000 pessoas foram detidas -- a mais jovem de apenas 11 anos. Só em Londres foram 805 detenções.

Em Birmingham, a polícia abriu inquérito para investigar a morte de três muçulmanos atropelados em meio aos distúrbios. Os homens aparentemente participavam de um grupo de anglo-asiáticos que se organizara para proteger seu bairro de saqueadores.

(Reportagem adicional de Tim Castle, Paul Hoskins, Adrian Croft, Avril Ormsby, Peter Griffiths, Jodie Ginsberg e Stephen Addison)

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