Leon Neal/AFP
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Cameron assinou mensagens a editora de tabloide com 'muito amor'

Como editora dos jornais mais lidos da Grã-Bretanha, Rebekah Brooks foi cortejada durante anos por muitos políticos importantes

KATE HOLTON E ESTELLE SHIRBON, REUTERS

11 Maio 2012 | 13h28

LONDRES - David Cameron assinou mensagens à editora de tabloide Rebekah Brooks com um carinhoso "LOL", querendo dizer "muito amor", informou ela em um inquérito nesta sexta-feira, 11, evocando a imagem constrangedora de um primeiro-ministro britânico bajulando uma protegida de Rupert Murdoch.

Como editora dos jornais mais lidos da Grã-Bretanha, o News of the World e depois o Sun, Brooks tinha o poder de criar ou derrubar carreiras e foi cortejada durante anos por muitos políticos importantes, até perder o cargo em julho de 2011.

Aparecendo em um inquérito judicial sobre padrões de imprensa, Brooks foi pressionada a contar detalhes de suas amizades com sucessivos primeiros-ministros britânicos, incluindo Tony Blair, do Partido Trabalhista, e o conservador David Cameron, agora no poder.

"Às vezes ele assinava (as mensagens) com LOL, significando muito amor", disse Brooks, em resposta a uma pergunta sobre mensagens de texto trocadas com freqüência por ela e Cameron durante a campanha eleitoral de 2010, quando ele ainda estava na oposição.

"Na verdade, foi até eu informar a ele que LOL significava ‘Laugh Out Loud' (rindo alto), e daí ele não assinou mais assim", acrescentou ela.

Murdoch fechou o News of the World em julho passado, quando foi revelado que seus jornalistas tinham rastreado mensagens de voz de figuras públicas e de uma estudante assassinada. Na esteira das revelações, Brooks renunciou ao cargo de presidente-executiva do grupo de jornais britânicos de Murdoch e agora está sob investigação policial.

Seu depoimento no Inquérito Leveson revelou que ela havia se encontrado frequentemente com Cameron, pressionado importantes escritórios do governo para aprovar uma oferta de aquisição de Murdoch e interveio na disputa de longa duração entre os ex-primeiros-ministros Tony Blair e Gordon Brown.

"Nós éramos um jornal que estava buscando as preocupações sérias e reais de nossos leitores", disse ela, olhando para o seu marido, o treinador de cavalos de corrida Charlie, para o juiz e para seu advogado. Brooks, que foi casada com o ator de uma popular série de TV, usava um vestido preto recatado.

O advogado Robert Jay foi direto ao ponto quando Brooks começou seu depoimento de um dia inteiro, pressionando-a por nomes de políticos que haviam expressado simpatia quando ela foi pega no escândalo de rastreamento de julho de 2011.

Inicialmente, Brooks tentou fugir à questão, mas finalmente disse: "Recebi algumas mensagens indiretas do número 10, do número 11, do Ministério do Interior, do Ministério das Relações Exteriores."

Os números 10 e 11 da Downing Street são os escritórios do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, respectivamente.

A impressão de que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, George Osborne, cercaram-se de pessoas privilegiadas para jantares íntimos e cavalgadas na zona rural inglesa tem sido atacada por críticos.

Brooks, de 43 anos, durante anos fez parte de um círculo exclusivo de amigos que incluía Cameron, a filha de Murdoch Elizabeth e outros conhecidos como o "grupo de Chipping Norton", por seus encontros de fim de semana na pitoresca cidade de Oxfordshire.

Cameron, que reconheceu que os laços dos políticos com Murdoch eram muito próximos, está às voltas com uma série de divulgações do Inquérito Leveson que demonstraram os laços sociais entre o governo e os executivos mais poderosos de Murdoch.

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