Cameron defende 'diálogo franco' com o Paquistão

Premiê britânico pede mais ações do país contra o terrorismo, embora tenha havido progresso

BBC

29 de julho de 2010 | 10h15

NOVA DÉLHI - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, defendeu nesta quinta-feira, 29, seus comentários sobre o fraco histórico de combate ao terrorismo do Paquistão feitos na quarta-feira em um discurso dado na Índia, onde se encontra em viagem.

 

Nesta quinta, Cameron disse ser importante um "diálogo franco" com o Paquistão, que pressionou por "fazer mais, embora tenha ocorrido algum progresso". Na quarta, o premiê havia dito que o país asiático não combate o terrorismo devidamente, o que o levou a receber acusações de de "minar os prospectos da paz regional".

 

Cameron nesta na Índia para tratar de negócios e deve se encontrar com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. A pauta da reunião deve tratar de assuntos comerciais e de segurança.

 

Antes da reunião, Cameron foi questionado sobre suas declarações de quarta, quando também disse ser intolerável a postura paquistanesa de "jogar dos dois lados". "Acho importante falar francamente sobre os problemas que vemos. Acredito que é isso o que o povo espera de seu governo", disse o britânico.

 

O premiê reconheceu os esforços paquistaneses, mas pediu mais ações. "Para ser sincero com o governo paquistanês, realmente houve progresso na perseguição e luta contra insurgentes que apresentam riscos para o país e para os vizinhos. Mas precisamos fazer mais porque, como já disse, não é aceitável que alguns paquistaneses apoiem grupos terroristas", completou.

 

Os comentários de Cameron foram feitos pouco tempo depois da divulgação de documentos secretos dos EUA sobre a guerra no Afeganistão que revelam que o Serviço de Inteligência do Paquistão colabora ativamente com o Taleban no planejamento de ataques. Islamabad, porém, nega qualquer vínculo com os terroristas.

 

O premiê foi criticado pelo Alto Comissário do Paquistão no Reino Unido, Wajid Shamsul Hasan, por ter acreditado no que Islamabad chama de "documentos sem credibilidade e corroboração". "Uma visita bilateral como a que ele fez poderia ter sido realizada sem que a paz regional fosse prejudicada", disse o paquistanês.

 

Hasan ainda disse esperar que os comentários de Cameron sejam apenas "um escorregão", e não "sua verdadeira opinião". "Ele é novo no governo, talvez aprenderá em breve e logo saberá como lidar com essas coisas. Espero que ele se redima, pois suas declarações foram muito mal vistas no Paquistão", completou Hasan.

 

A posição de Cameron deve ser bem recebida pela Índia, que acusa o Paquistão de não lutar contra os terroristas e acaba sofrendo ataques esporádicos. Os países, vizinhos, vivem uma série de tensões e a questão da segurança é uma das principais questões a serem discutidas.

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