Cameron enfrenta novas críticas por reuniões com News Corp

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, sofre na quinta-feira mais pressão para detalhar o seu relacionamento com a empresa News Corp, enquanto novos jornais do grupo também passaram a ser alvo de investigações.

KEITH WEIR, REUTERS

21 de julho de 2011 | 18h01

Atravessando a pior crise em seus 15 meses de governo, Cameron pareceu ter assegurado o apoio do seu Partido Conservador e do aliado Liberal-Democrata graças à confiante apresentação na quarta-feira em uma sessão extraordinária do Parlamento.

Mas críticos disseram que ele foi evasivo ao falar de conversas que teve com diretores da News Corp a respeito da proposta de aquisição da operadora de TV paga BSkyB.

A crise decorre da revelação, ocorrida neste mês, de que o jornal News of the World, pertencente à News Corp, espionou as caixas postais telefônicas de centenas de pessoas. Diante do escândalo, o magnata Rupert Murdoch, dono da News Corp, resolveu fechar o News of the World, tabloide que circulou durante 168 anos.

Agora, no entanto, a polícia disse que está avaliando os métodos usados por outros jornais do grupo, com base em um relatório de 2003 do Comissariado de Informação da Grã-Bretanha que detalhava como vários jornais da News Corp haviam contratado detetives particulares em suas operações.

A polícia já havia informado que a investigação não se restringe ao News of the World, mas esta é a primeira confirmação de que o relatório de 2003, na época praticamente ignorado, está sendo reavaliado.

A crise afeta Cameron porque entre 2007 e 2010, ele teve como assessor de imprensa o jornalista Andy Coulson, que antes havia se demitido do cargo de editor do News of the World quando veio à tona a informação de que um repórter do jornal se valia de grampos telefônicos. Na época, a denúncia foi tratada como um caso isolado.

Na audiência de quarta-feira, Cameron disse lamentar a polêmica causada pela contratação de Coulson como porta-voz, mas recusou-se a pedir desculpas por isso.

Seus críticos também apontaram o fato de ele não ter desmentido no Parlamento que executivos da News Corp teriam tido reuniões informais com o premiê para falar dos seus planos de aumentar a participação acionária do grupo na BSkyB.

"Em pelo menos nove ocasiões, David Cameron deixou de dar uma resposta direta e completa a perguntas legítimas sobre se ele discutiu a BSkyB com executivos da News Corp e da News International", disse o porta-voz do Partido Trabalhista para questões de imprensa, Ivan Lewis.

Cameron disse ao Parlamento que não manteve discussões "inapropriadas" com a BSkyB e que não se envolveu na decisão governamental de dar aval à aquisição acionária. A News Corp desistiu do negócio na semana passada, por causa do escândalo da espionagem telefônica.

"David Cameron precisa admitir e oferecer uma transparência completa. Até que o faça, continuará havendo sérios questionamentos à sua capacidade de julgamento", afirmou Lewis.

A liderança trabalhista não chegou a pedir expressamente a renúncia de Cameron, mas o partido parece disposto a usar a revelação a conta-gotas dos fatos para gradualmente abalar a autoridade dele, num momento em que o governo enfrenta uma perda de popularidade por causa de um rígido programa de cortes de gastos públicos.

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