Cameron nega que medidas financeiras tenham motivado distúrbios

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, reiterou nesta quinta-feira que atribui os distúrbios dos últimos dias no país a gangues juvenis e saqueadores oportunistas, minimizando a interferência da pobreza ou das medidas de austeridade impostas pelo governo.

MOHAMMED ABBAS E ADRIAN CROFT, REUTERS

11 de agosto de 2011 | 19h26

Cameron disse numa sessão extraordinária do Parlamento que a polícia cometeu erros táticos no início da onda de distúrbios, mas que agora "a reação já começou para valer."

"Havia simplesmente policiais de menos mobilizados nas ruas (quando os distúrbios começaram). E a tática que eles estavam usando não estava funcionando", disse o primeiro-ministro, que interrompeu suas férias na Itália e convocou o Parlamento no meio do recesso e verão por causa da crise.

"Quanto à minoria fora da lei, os criminosos que pegaram o que conseguiram, eu digo isso: vamos monitorá-los, vamos encontrá-los, vamos indiciá-los e vamos puni-los", disse o líder conservador, no poder há 15 meses.

"Não se trata de pobreza, trata-se de cultura", disse Cameron. "Uma cultura que glorifica a violência, demonstra desrespeito pela autoridade e diz tudo sobre os direitos, mas nada sobre as responsabilidades."

Em Birmingham, na região central da Inglaterra, policiais anunciaram a prisão de três pessoas, com idades entre 16 e 26 anos, suspeitas de matarem três homens que foram atropelados quando vigiavam suas propriedades contra saqueadores.

A onda de violência começou no sábado, em Londres, e se alastrou nas noites seguintes para outras cidades inglesas. O estopim dos tumultos foi a morte de um taxista num incidente envolvendo a polícia.

Ao todo, 1.200 pessoas foram detidas na Inglaterra em quatro dias de distúrbios, inclusive um menino de 11 anos.

Na corte judicial de Westminster, um dos primeiros casos a serem analisados foi o de um aluno de direito acusado de participar de um grupo que atacou bares e restaurantes no sofisticado bairro de Saint John's Wood.

Alguns líderes comunitários dizem que a desigualdade de renda e oportunidades, os cortes nos serviços públicos adotados pelo governo para combater o déficit e o desemprego entre os jovens motivaram os incidentes.

Depois do discurso de Cameron, o ministro das Finanças, George Osborne, falou ao Parlamento sobre a crise da dívida na zona do euro.

Ele afirmou que a urgência do governo britânico em combater o déficit público deveria servir de exemplo para outros países europeu, mesmo que muitos britânicos achem que essas medidas levarão a mais desemprego, redução de benefícios e interrupção de serviços públicos.

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