Arquivo/AP
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Cameron pede desculpas por 'Domingo Sangrento' e o considera 'injustificável'

Relatório sobre massacre de norte-irlandeses em 1972 demorou 12 anos para ser concluído

Reuters

15 de junho de 2010 | 11h44

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pediu desculpas em nome do seu país nesta terça-feira, 15, pelo massacre de 13 ativistas católicos norte-irlandeses em 1972, episódio que ficou conhecido como Domingo Sangrento. O premiê ainda considerou o caso como "injustificado e injustificável".

 

Em um comunicado ao Parlamento, Cameron afirmou que as investigações não deixaram dúvidas de que os soldados do Exército Britânico dispararam contra ativistas católicos desarmados sem que qualquer tipo de provocação houvesse sido feita. "O que aconteceu no Domingo Sangrento foi tanto injustificado quanto injustificável. Foi errado, disse o premiê, posteriormente aplaudido.

 

O relatório de 5 mil páginas levou 12 anos para ser concluído e é o mais caro na história da Justiça britânica, com custo próximo de 200 milhões de libras (US$ 293 milhões). Presidido pelo lorde Saville, um juiz britânico, o inquérito recolheu evidências apresentadas por 2.500 pessoas de 1998 a 2004.

Publicado nesta terça, o documento afirma que nenhuma das vítimas ameaçou as tropas, mas também não acusou nenhum dos soldados especificamente por ter matado os ativistas.

 

Na maioria dos casos, diz o texto, as tropas não tiveram justificativa para abrir fogo, ignoraram as regras de engajamento, falharam ao dar avisos aos manifestantes e em alguns casos desconsideraram as consequências. Em um incidente, um soldado teria atirado em um homem já morto estirado no chão.

 

"Os soldados reagiram ao perder o autocontrole e atiraram, esquecendo ou ignorando suas instruções e treinamento", diz o relatório, explicando que alguns deles erroneamente acreditaram que se tratava de militantes do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) atacando seus colegas.

 

O documento ainda confirma que o episódio "deu grande força ao IRA, aumentou o ressentimento nacionalista e a hostilidade contra o Exército e exacerbou os violentos conflitos que ocorreram nos anos seguintes. "O Domingo Sangrento foi uma tragédia para as vítimas e os feridos e uma catástrofe para o povo da Irlanda do Norte".

 

Consequências

O Domingo Sangrento atraiu centenas de novos voluntários para o clandestino IRA, grupo que ampliou sua campanha brutal para que a Irlanda do Norte rompesse a união com o Reino Unido e se tornasse parte da República da Irlanda.

Com cerca de 500 mortes, 1972 se tornou o ano mais sangrento no conflito da Irlanda do Norte. O IRA lutava contra as autoridades britânicas e grupos armados unionistas que combatiam para manter a província sob o controle de Londres.

O inquérito Saville é resultado de uma promessa do ex-primeiro-ministro Tony Blair em um momento em que tentava garantir o apoio dos republicanos para o acordo de paz.

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