Camorra poderia estar ligada a protestos contra aterro em Nápoles

Máfia que domina a província ganha dinheiro com o transporte de resíduos industriais e aterros

Reuters,

25 de outubro de 2010 | 23h02

Policial vigia aterro de Terzigno, na província de Nápoles

 

NÁPOLES- Os promotores de Nápoles investigam se integrantes da máfia local estão envolvidos nos protestos contra o novo lixão perto da cidade italiana, a terceira maior do país, disse nesta segunda-feira, uma fonte judicial.

 

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Os moradores de Terzigno, um povoado localizado aos pés do monte Vesúvio, onde deve ser o novo aterro, protestam há um mês contra o cheiro ruim e os resíduos tóxicos que o lixo provoca.

 

As manifestações, inicialmente pacíficas, começaram a ficar violentas na última semana, e os manifestantes se enfrentavam repetidamente com a polícia à noite, lançando bombas molotov em contêineres de lixo e ateando fogo em veículos.

 

O governo prometeu no fim de semana intervir rapidamente, mas os confrontos continuavam. Três jovens armados com barras de ferro foram detidos depois de atacar dois carros da polícia e ferir um agente.

 

O conflito fez com que os promotores abrissem uma investigação por suspeitas de que integrantes da Camorra, a máfia napolitana que ganha uma fortuna com os aterros e a queima ilegal de lixo, possam ter se infiltrado nos protestos.

 

"Há elementos que apontam para grupos criminosos que interferem nos protestos", declarou a fonte, sem dar mais detalhes.

 

A fonte indicou que a investigação estava na fase inicial e não ficou imediatamente claro se a Camorra poderia se beneficiar ao estimular os protestos, já que normalmente prefere fazer negócios longe dos olhos do público.

 

A Camorra transforma o lixo em dinheiro há décadas em Nápoles e arredores, segundo o grupo ambientalista Legambiente. Até 1994, quando as autoridades locais se encarregaram dos lixões da região, controlavam a maioria dos aterros, senão todos.

 

Os mafiosos ainda ganham dinheiro com o transporte de resíduos industriais ao derramar resíduos e lixo tóxico no campo: uma grande fonte de contaminação a que se atribui um índice mais elevado do que o normal de certos tipos de câncer na região.

 

A Legambiente estima que a participação da máfia nos crimes contra o meio ambiente produz um faturamento de 7 bilhões de euros por ano.

 

(Reportagem de Laura Viggiano e Silvia Aloisi)

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