Candidatos elevam o tom às vésperas das eleições italianas

Berlusconi pede a Veltroni para prometer que a esquerda não fraudará eleições com cédulas em branco

Efe,

09 de abril de 2008 | 19h21

Os dois principais candidatos à chefia do governo italiano, o líder da legenda conservadora Povo da Liberdade (PDL), Silvio Berlusconi, e o do Partido Democrata (PD), Walter Veltroni, aumentaram nesta quarta-feira, 9, o tom de seus discursos na reta final da campanha para as eleições gerais de domingo e segunda-feira. Veja também:Berlusconi diz ter certeza absoluta da vitória eleitoralMulheres de direita são mais bonitas, afirma ex-premiêLíder nas pesquisas, Berlusconi recusa debate com rivais na TV Berlusconi atacou primeiro em entrevista ao canal de televisão La7, quando pediu para Veltroni prometer que "a esquerda não usará cédulas em branco para cometer fraudes" e disse que a centro-esquerda só venceu nas eleições de 2006 por causa de irregularidades. A resposta de seu adversário direto não demorou a chegar - "Uma pessoa assim pensa que pode governar um país?", questionou Veltroni durante a gravação de um programa da emissora pública de televisão RaiUn. Veltroni disse que enquanto ele estava ali para "falar da vida do país", Berlusconi "ficou nas fraudes, das quais só lembra quando perde as eleições." Ainda atrás de Berlusconi nas últimas pesquisas de opinião, Veltroni pediu os votos dos italianos que "estão fartos" de tudo o que a política "produziu em termos de ódio e falta de modernidade". Em um jogo de declarações cruzadas, Berlusconi voltou ao ataque, ao assegurar que Veltroni é chamado de "senhor mentiras" em Roma, cidade da qual foi prefeito até dois meses atrás. Napolitano Nem o presidente italiano, Giorgio Napolitano, escapou das polêmicas desta quarta. Berlusconi disse que, após as eleições, estaria disposto a dar a Presidência e uma das Câmaras ao PD "só se Napolitano renunciar" e se o novo chefe do Estado for eleito por seu partido. O próprio Berlusconi explicou pouco depois que se tratava de "uma hipótese" e acrescentou: "Vida longa ao presidente da República". O primeiro forte confronto entre Veltroni e Berlusconi aconteceu nesta terça-feira, quando o candidato do PD enviou uma carta a seu adversário na qual exigia que se comprometesse a uma renúncia expressa da violência na campanha eleitoral. O pedido aconteceu depois de Umberto Bossi, líder da Liga Norte - partido aliado de Berlusconi - ter se mostrado no domingo disposto a "pegar em fuzis" caso as cédulas eleitorais não sejam alteradas. O candidato do PDL respondeu imediatamente à carta e disse que "um herdeiro do comunismo" - Veltroni militou no Partido Comunista Italiano (PCI) - não garantiria democracia e lealdade à Itália.

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