Candidatos voltam à TV e acirram indefinição nas eleições britânicas

Brown e Cameron tentaram reverter impressão positiva deixada pelo liberal-democrata Nick Clegg

22 de abril de 2010 | 18h47

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

 

Nick Clegg, Gordon Brown e David Cameron se cumprimentam após debate

 

A duas semanas das eleições gerais no Reino Unido, os três principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro voltaram nesta quinta-feira, 22, à TV para o segundo de uma série de três debates que antecederão o pleito, marcado para 6 de maio.

 

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Pressionados por pesquisas de opinião que apontavam o crescimento do candidato liberal-democrata Nick Clegg, o líder conservador, David Cameron, e o trabalhista e atual primeiro-ministro, Gordon Brown, acentuaram as diferenças entre os três planos de governos. Ao término, pesquisas apontaram Cameron e Clegg como os melhores da noite.

 

O debate de uma hora e trinta minutos de duração foi realizado pela rede de TV Sky News e teve como tema central política externa. O confronto teve início com uma questão sobre o grau de integração do Reino Unido na União Europeia, que acabou demarcando a diferença entre os três postulantes.

 

Reforçando seu euroceticismo, Cameron explorou o desapontamento da população em relação ao bloco e reiterou sua proposta de retomar poderes delegados a Bruxelas, além de descartar a adoção futura do euro e de defender a realização de referendos antes de grandes decisões sobre a integração. "Nós transferimos poder demais de Westminster para Bruxelas", argumentou. "Eu quero recuperar esse poder para os britânicos."

 

As posições de Cameron acabaram sendo alvo de críticas dos dois outros candidatos. Pró-europeu, Nick Clegg criticou a ideia de que o Reino Unido deva se afastar da UE.

 

Evocando sua passagem pela burocracia de Bruxelas, o liberal-democrata destacou a importância do bloco para a economia mundial e sentenciou: "Quero reformar a União Europeia. Por isso, quero fazer parte dela".

 

Em posição intermediária, Brown reafirmou seu interesse em trabalhar em conjunto com outros líderes do continente, citando a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em temas como crise econômica e mudanças climáticas. Mas o premiê não fez promessas de aprofundar a integração ao bloco.

 

Sem apresentar surpresas em relação aos seus planos de governo, os três candidatos responderam às perguntas do público sobre temas como a guerra do Afeganistão, mudanças climáticas, o apoio à visita do papa Bento XVI ao país, a credibilidade do sistema político, o valor das pensões e a imigração. As divergências eram mais intensas entre Cameron, de um lado, e Clegg e Brown de outro.

 

Determinado a demarcar suas diferenças em relação ao liberal-democrata, o primeiro-ministro valeu-se de uma estratégia agressiva, explorando o medo da mudança e a necessidade de manutenção da política macreconômica.

 

"David, você é um risco para a nossa economia. Nick, você é um risco para nossa segurança, em razão do que você diz sobre Afeganistão e Irã", disparou, ao se despedir do público.

 

Apesar dos ataques, a hipótese de um governo de coalizão entre liberais-democratas e trabalhistas ficou em suspense. Questionado sobre o assunto, Clegg - cujo partido tem remotíssimas chances de obter a maioria no parlamento, apesar de sua popularidade crescente - foi mais incisivo. "Se você decidir que nenhum de nós aqui deve ter a maioria, claro que deveremos conversar sobre como formar o melhor governo possível", respondeu ao eleitor que o indagara.

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