Capital da Geórgia não sofre ameaça russa, diz líder georgiano

Tropas da Rússia deixam Senaki após 'eliminar' ameaça à Ossétia do Sul; Mijail Saakashvili pede calma à população

Agências internacionais,

11 de agosto de 2008 | 16h12

O presidente da Geórgia, Mijail Saakashvili, pediu nesta segunda-feira, 11, que a população mantenha a calma e assegurou que a capital Tbilisi não sofre ameaça das forças russas, em um discurso na televisão georgiana. Ao menos "até amanhã (terça), Tbilisi não corre perigo", disse o presidente. Na mesma linha, um representante da Defesa da Rússia declarou que "não há nem nunca houve planos" para avançar sobre Tbilisi. Ainda nesta segunda, as tropas russas deixaram a cidade georgiana de Senaki após "eliminar" uma ameaça à Ossétia do Sul, informou a agência russa Interfax, citando um comunicado do Ministério da Defesa da Rússia. O avanço em Senaki, a 40 quilômetros de outra região separatista da Geórgia (Abkházia), foi considerado uma segunda frente de combate contra as forças georgianas.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Ataques destroem bairros residenciais em Gori, a cerca de 80 quilômetros de Tbilisi. Foto: Reuters   Mais cedo, o Conselho Nacional de Segurança da Geórgia afirmou que militares russos capturaram a cidade de Gori, a 60 quilômetros da capital georgiana, informação que foi negada pela Defesa da Rússia. Com o avanço dos ataques das forças de Moscou - que desde sexta-feira leva adiante uma grande ofensiva militar contra a Geórgia em defesa da província separatista de Ossétia do Sul -, aumentaram os temores de uma possível tomada de Tbilisi.   Falando sob anonimato à Interfax, a fonte do Ministério da Defesa da Rússia avaliou que "está claro que os georgianos estão tomados pelo pânico", segundo a agência France Presse. Saakashvili denunciou que "a principal missão do inimigo é que a Geórgia deixe de existir como país livre e próspero, que deixe de existir em geral."   O presidente da Geórgia, que nesta manhã assinou em presença internacional uma proposta de cessar-fogo unilateral rejeitada pelo governo russo, lamentou que a comunidade mundial se limite ao "apoio moral" e às "palavras."   "Queremos que a bárbara agressão seja detida", ressaltou Saakashvili. Após constatar que Geórgia atravessa "um dos momentos mais difíceis de sua história", o chefe de Estado lembrou que seu povo tem "experiência de resistência perante opressores."   "Jamais nos renderemos, não nos ajoelharemos. Nossas tropas estão se reagrupando e defenderão Tbilisi", disse o dirigente.   Ainda nesta segunda-feira, as tropas russas entraram no porto georgiano de Poti, anunciou o primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurguenidze. Logo após o anúncio, o Ministério da Defesa russo negou a informação.   Moscou afirmou que a Tbilisi repatriou 800 soldados que serviam no Iraque em aviões americanos, fato pelo qual o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de "cinismo."   A Geórgia informou que sua defesa aérea abateu 19 aviões russos nos quatro dias de conflito, enquanto a Rússia estimou em 1.600 os civis mortos na Ossétia do Sul, onde também houve 15 soldados russos mortos e 70 feridos. Os números, entretanto, não podem ser checados de forma independente pelas agências internacionais.     (Matéria atualizada às 18h30)  

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