Christine Lemarie/Divulgação/AP
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Carlos, o Chacal, mostra-se combativo durante julgamento

No 1º dia de julgamento, que poderá condená-lo a prisão perpétua, ele disse ser 'revolucionário por profissão'

ALEXANDRIA SAGE, REUTERS

07 de novembro de 2011 | 15h01

PARIS - O guerrilheiro urbano "Carlos, o Chacal" sorriu e ergueu o punho fechado nesta segunda-feira, 7, ao ser julgado por ataques a bomba em Paris, pelos quais ele é acusado, no auge de sua "campanha anti-imperialista" nos anos 1970 e 1980.

"Sou um revolucionário por profissão", declarou a um tribunal especial para terrorismo Ilich Ramírez Sánchez, cuja postura não mudou em duas décadas nas prisões francesas depois de sua captura em 1994 em Cartum, no Sudão, por forças especiais francesas. Ramírez agora tem 62 anos, uma barba grisalha e ostenta uma barriga; por cerca de 30 anos, ele foi o rosto da luta militante marxista. A sedução revolucionária aumentou com seu gosto por charutos de Havana, pelas boinas ao estilo Che Guevara, pelo álcool e pelas mulheres.

Para seu reduzido círculo de admiradores, alguns deles presentes no tribunal nesta segunda-feira, ele era um combatente anti-imperialista romântico; para outros, era um assassino a sangue frio. Vestido com uma jaqueta e um suéter azuis, Ramírez sentou-se em uma caixa de vidro, guardado por três policiais, ocasionalmente balançando um braço durante a abertura dos procedimentos.

Perpétua, de novo

 

Ele pode pegar uma segunda condenação à prisão perpétua por quatro atentados em 1982 e em 1983 que mataram 11 pessoas e feriram quase 200. Ele já foi condenado à prisão perpétua em 1997 por uma corte francesa por matar dois policiais e um informante.

O guerrilheiro esquerdista falou expansivamente sobre seus contatos do passado. Ele disse ao juiz que Yasser Arafat "em pessoa" lhe concedeu a cidadania palestina. Ramírez fez parte de uma geração de guerrilheiros urbanos que agiu nos anos 1970 e 1980 com ataques a personalidades e instituições do establishment. Na Alemanha Ocidental, o grupo Baader-Meinhof executou homicídios e, na Itália, as Brigadas Vermelhas promoveram uma campanha de violência.

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