Carro-bomba da ETA deixa mais de 60 feridos na Espanha

Autoridades responsabilizaram o grupo separatista basco por ataque contra o quartel da Guarda Civil em Burgos

29 de julho de 2009 | 05h52

  

   Foto: Reuters

 

MADRI - A explosão de um carro-bomba na madrugada desta quarta-feira, 29, deixou pelo menos 65 pessoas feridas na cidade de Burgos, no norte da Espanha. A explosão ocorreu por volta das 4h da manhã (horário local, 23h da terça-feira no Brasil) do lado de fora de um edifício de 14 andares da Guarda Civil. As autoridades culparam o grupo separatista basco ETA pelo ataque.

 

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O carro carregado de explosivos estava estacionado do lado de fora do quartel, onde moram policiais paramilitares da Espanha e suas famílias. Várias crianças ficaram feridas na explosão. Segundo o jornal espanhol El País, o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que a explosão foi "a tentativa frustrada de um grande atentado que buscava vários mortos". "Nesta noite, dormiam no local mais de 120 pessoas, dos quais 41 eram crianças", afirmou.

 

De acordo com a polícia, as vítimas apresentam apenas ferimentos leves, a maioria devido aos estilhaços de vidro por conta da explosão das janelas do prédio. "Todas as janelas estão quebradas. (O prédio) está bastante danificado. É quase um milagre que ninguém tenha se ferido mais gravemente", disse um porta-voz dos serviços de emergência.

 

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Policiais citados pela imprensa espanhola responsabilizaram o grupo separatista ETA, que defende a independência do País Basco, pelo ataque. Mas nenhum grupo se responsabilizou pelo carro-bomba, que ocorreu sem aviso prévio, uma característica que não está de acordo com padrões anteriores da ETA.

 

O grupo pôs fim oficialmente a um cessar-fogo há dois anos. As autoridades acreditam que o ETA está pressionado para mostrar quer ainda pode realizar ataques apesar de ter sido enfraquecido após várias prisões, incluindo de seu suposto líder, Jurdan Martitegi, em abril. No mês passado, a organização foi responsabilizada pela explosão de um carro bomba que deixou um policial morto na cidade basca de Bilbao, província de Vizcaya.

Segundo a BBC, a ETA encampa desde 1968 uma campanha pela formação de um Estado independente basco no norte da Espanha e no sudeste da França, que já custou mais de 800 vidas. A cidade de Burgos fica em província homônima, na região autônoma de Castilla y León. Os quartéis e residências dos agentes da Guarda Civil espanhola foram um dos principais alvos da ETA, contra os quais o grupo praticou 89 atentados, nos quais 33 pessoas morreram e mais de 290 ficaram feridas.

 

200 quilos de explosivos

 

O carro-bomba estava carregada com pelo menos 200 quilos de explosivos, informaram fontes da investigação à Agência Efe. A explosão, que deixou um enorme buraco de sete por dois metros, causou danos em sete dos 14 andares das dependências do quartel-residência da Guarda Civil em Burgos, cidade próxima ao País Basco.

 

Por enquanto não se sabe a composição exata do material explosivo, embora as autoridades estejam considerando a possibilidade de que possa tratar-se de amonitol, um explosivo de efeito devastador utilizado pelo ETA em pelo menos quatro ocasiões, desde 2008. O grupo começou a experimentar este novo explosivo no final de 2007, depois do roubo de 2 mil litros de nitrometano na França, em outubro daquele ano.

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