Carro-bomba explode na Universidade de Navarra

Veículo é detonado no estacionamento do campus; 17 pessoas ficam levemente feridas por estilhaços de vidro

Agências internacionais,

30 de outubro de 2008 | 08h24

 Um carro-bomba explodiu na manhã desta quinta-feira, 30, em um estacionamento de um campus universitário no norte da Espanha, segundo a Rádio Nacional da Espanha. Segundo a rádio e o jornal El País, a explosão ocorreu na Universidade de Navarra, em Pamplona, e pelo menos 17 pessoas que estavam nas imediações foram feridas levemente por causa dos vidros quebrados.   Segundo o jornal, a Delegação do governo de Navarra afirmou que não houve alerta de que o artefato teria sido colocado antes da detonação, como faz habitualmente o grupo separatista basco ETA ao promover atentados. Porém, fontes do mesmo departamento afirmam que uma ligação telefônica alertou que um Peugeot branco teria sido colocado "no campus da Universidade", sem especificar que instituição seria atingida, aponta o El País. Segundo a BBC, a universidade fica perto do País Basco, onde separatistas do ETA mantêm uma violenta campanha pela independência da região. O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, confirmou a ligação.   A explosão provocou um estrondo ouvido em todo campus da universidade. A Faculdade de Comunicação foi esvaziada após o incidente, de acordo com testemunhas. O ataque provocou danos nos veículos estacionados nas imediações. As autoridades ainda não atribuíram o ataque a nenhum grupo, mas a suspeita recai sobre o ETA. Um dos comandos desse grupo separatista basco foi desarticulado nesta semana. A polícia deteve na terça-feira três homens em Pamplona e uma mulher em Valência acusados de pertencer a comandos do ETA.   Após a explosão, que gerou uma coluna de fumaça que era vista a grande distância, houve momentos de confusão e tensão entre as centenas de alunos e professores que naquele momento estavam nas dependências da universidade. Às 14h30 (11h30 de Brasília), os bombeiros já haviam extinguido o incêndio originado pela explosão, que aconteceu nas proximidades do edifício central da universidade, cuja construção em pedra evitou que os efeitos da detonação fossem maiores.    O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que os responsáveis por colocar o explosivo "acabarão" em frente ao juiz e na prisão. Três horas depois do atentado, o ministro ofereceu uma entrevista coletiva, em Madri, na qual disse que a ação poderia ter se transformado em uma "tragédia enorme". Pérez Rubalcaba disse que, uma hora antes da explosão, foi recebido um telefonema, em nome da ETA, na associação de ajuda rodoviária DYA da vizinha cidade basca de Vitoria, o que levou a polícia a inspecionar o campus universitário dessa cidade, já que o informante não precisava de que universidade falava. "Quem colocou a bomba não avisou, intencionalmente ou por engano. Dá no mesmo: poderíamos ter tido uma tragédia enorme na universidade, que felizmente não ocorreu", disse Pérez Rubalcaba, que disse que o veículo utilizado foi roubado na noite de quarta na cidade basca de Zumaia.   A ETA cometeu um atentado contra a universidade em 24 de maio de 2002, quando um carro-bomba com 20 quilos de explosivos explodiu no mesmo lugar - em frente ao edifício central do campus - causando grandes danos materiais na região do estacionamento, nas salas de aula e na lanchonete, deixando três feridos leves. Na década de 1980, os etarras incendiaram a sala magna da instituição, também provocando grandes danos. A ETA matou mais de 800 pessoas em quatro décadas de luta armada pela independência dos territórios bascos na Espanha e na França.   Matéria atualizada às 12h25.

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