Caso de Sakineh leva Irã a rever condenações por apedrejamento

Segundo advogado, Teerã muda algumas penas para evitar mais pressões internacionais

estadão.com.br

13 de agosto de 2010 | 08h58

Em Berlim, mulher faz protesto contra o apedrejamento.

 

LONDRES - O Irã aparentemente está mudando secretamente as sentenças dos iranianos que aguardam a execução por apedrejamento para a morte por enforcamento. A medida está sendo tomada por conta dos protestos internacionais iniciados depois da divulgação do caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, mulher de 43 anos condenada por adultério e assassinato, informa nesta sexta-feira, 13, o jornal britânico The Guardian.

 

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Mariam Ghorbanzadeh, de 25 anos, grávida de seis meses que abortou após ser mal tratada e espancada em na prisão de Tabriz nesta semana, inicialmente havia sido sentenciada ao apedrejamento por adultério, mas uma rápida decisão judicial reviu sua pena. Acredita-se que a decisão foi tomada pelas autoridades iranianas para evitar a condenação internacional pela utilização de tal pena.

 

Segundo a lei iraniana, ela não poderia ser executada enquanto estivesse grávida. Seu advogado, Houtan Kian, disse ao Guardian temer "que o Irã execute Mariam e outras pessoas cujos casos não foram levados à mídia internacional", como aconteceu com Sakineh. Kian também é o representante legal de Sakineh e outras duas mulheres condenadas por adultério.

 

Uma delas, Azar Bagheri, de 19 anos, foi presa aos 15 depois de seu marido a acusar de manter um relacionamento fora do casamento. Ela havia sido inicialmente condenada à morte, mas depois que o caso de Sakineh veio à tona, sua pena foi revista para cem chibatadas. Embora ela tivesse sido sentenciada à morte há quatro anos, ela não poderia ser executada antes de completar 18 anos.

 

"Todas essas mulheres são condenadas por adultério, mas o Irã tenta mudar suas penas depois que o caso de Sakineh ganhou atenção internacional e gerou críticas contra o país", diz Kian.

 

Na noite de quarta-feira, o Irã transmitiu uma suposta confissão de Sakineh na televisão estatal, na qual ela admite ter participado do assassinato de seu marido e critica seu advogado anterior, Mohammad Mostafaei, que fugiu do país e está asilado na Noruega.

 

O vídeo transmitido mostrava a suposta Sakineh com um efeito de borrão no rosto e sua voz havia sido encoberta pela tradução do dialeto local para o Farsi, impedindo a verificação da identidade da mulher e da veracidade do vídeo. Kian imediatamente rejeitou as imagens e disse que sua cliente havia sido torturada antes de dar a entrevista. A ONG Anistia Internacional considerou o vídeo como uma "falsidade do sistema judiciário do Irã".

 

A condenação por apedrejamento gerou comoção internacional com o governo brasileiro oferecendo asilo para Sakineh, oferta negada por Teerã, que classificou o presidente Lula de "emotivo" e pouco informado sobre o caso.

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