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'Caso' do presidente François Hollande incendeia cena política da França

Ao noticiar suposta relação, revista dá início a debate nacional sobre invasão da vida privada

Andrei Netto, Correspondente/ Paris, O Estado de S. Paulo

11 de janeiro de 2014 | 09h01

A revista francesa Closer, especializada na cobertura da vida pessoal de estrelas e políticos, afirmou ontem que o presidente François Hollande tem uma amante: a atriz Julie Gayet, de 41 anos, socialista que militou pela candidatura de Hollande em 2012. A divulgação da notícia pela imprensa francesa, que tradicionalmente se orgulha de "não invadir" a vida privada de figuras públicas, incendiou a cena política de Paris.

A edição com a reportagem de capa "O Amor Secreto do Presidente" foi lançada no site da revista no final da noite de quinta-feira. O relato, de sete páginas, traz imagens do presidente chegando de scooter, acompanhado apenas de um segurança, e entrando no edifício da atriz. As fotos não mostram os dois juntos e, portanto, não provam que a relação de fato existe - embora rumores persistentes sobre o assunto circulem em Paris há vários meses.

O paparazzo contratado pela Closer assegura que Hollande permanece noites inteiras no local. "Ele passa as noites com ela a dois passos do Palácio do Eliseu", afirma a reportagem.

Em outro trecho, o texto completa: "Na época do Ano Novo, o chefe de Estado, com capacete na cabeça, encontra de scooter a atriz no térreo de seu prédio, onde o presidente tem o hábito de passar a noite."

Pela manhã, o Palácio do Eliseu divulgou uma nota afirmando que Hollande "deplora profundamente os atentados ao respeito à vida privada, à qual ele tem direito como todo cidadão". A presidência informa ainda que examinará "todas as medidas, incluindo judiciais, contra a publicação".

Julie Gayet é uma atriz de cinema e milita no PS, tendo participado de um vídeo de apoio a Hollande durante a campanha eleitoral de 2012. Na gravação, vista mais de 400 mil vezes no site DailyMotion, a atriz comenta as virtudes do então candidato a presidente e multiplica os elogios a sua personalidade e a sua competência.

"Ele continua sendo quem ele é. Suas convicções e sua retidão estão lá. Desde que o encontrei, ele continua igual. Essa constância é muito forte. O que ele diz, ele faz", afirma a atriz.

Ela tem um filme em cartaz neste momento na França, Les âmes de papier (As Almas de Papel, em tradução livre). Durante uma recente entrevista de divulgação, Stéphane Guillon, comediante com quem ela contracena, afirmou, referindo-se a Hollande e a sua namorada, a jornalista Valérie Trierweiler: "Ele vinha sempre nas gravações. Ele gosta muito do filme. Sua mulher, muito menos".

No meio político, a publicação teve dois efeitos. No primeiro momento, houve críticas fortes em redes sociais, questionando se o presidente, que tem apenas 24% de aprovação popular, tinha tempo para cuidar da França. Ontem o tom foi muito mais ameno e de respeito à vida privada.

Até Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Frente Nacional, disse considerar o assunto de ordem pessoal. "Todo atentado à vida privada me choca", afirmou.

Segredos de Estado. Essa é a segunda polêmica envolvendo mulheres e o presidente desde o início de seu governo. Logo após a posse, a jornalista Valérie Trierweiller protagonizou cenas públicas de ciúmes com a ex-mulher de Hollande, Ségolène Royal, candidata à presidência derrotada em 2006.

Seu antecessor, Nicolas Sarkozy, também enfrentou um escândalo público semelhante em 2007, em pleno mandato, quando foi deixado pela primeira-dama, Cécile Sarkozy, casando-se meses mais tarde com a modelo e cantora Carla Bruni.

No início da noite de ontem, a advogada da atriz negociou com a direção da revista Closer e obteve a retirada da reportagem do site da empresa. A edição em papel continuará a circular.

Desde seu divórcio com Ségolène, Hollande não se casou, mas mantém um relacionamento de vários anos com a jornalista Valérie. No mês passado ela viajou com ele ao Brasil, sendo reconhecida pelo protocolo do Itamaraty como mulher do chefe de Estado.

Para lembrar. Em 1994, a revista francesa Paris Match causou furor ao revelar que o então presidente, François Mitterrand, tinha uma filha fora do casamento, sendo acusada de violar a vida privada do chefe de Estado. Os escândalos, porém, continuaram. Então candidata à presidência em 2007, Ségolène Royal anunciou seu divórcio de François Hollande. E meses após ser eleito, Nicolas Sarkozy trocou sua mulher, Cécile, pela cantora Carla Bruni.

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