Caso Tymoshenko faz Ucrânia cancelar cúpula regional

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cancelou nesta terça-feira uma cúpula regional, evitando assim boicotes e sermões por causa do tratamento dispensado por seu governo à líder oposicionista Yulia Tymoshenko.

RICHARD BALMFORTH, REUTERS

08 Maio 2012 | 17h13

O anúncio, feito pela chancelaria ucraniana, foi um constrangimento para o governo e uma vitória para Tymoshenko, que está em greve de fome numa penitenciária da cidade de Kharkiv.

Com dores crônicas nas costas, ela se recusou a ser transferida para um hospital nesta terça-feira, mas mudou de ideia após conversar com seu médico alemão, e deve se internar na quarta-feira e encerrar gradualmente o seu jejum, disse sua filha Yevgenia a jornalistas.

Os presidentes da Alemanha, Áustria, Itália, Croácia, Estônia, Eslovênia, Bulgária e República Tcheca já haviam anunciado a decisão de não participar da cúpula informal de quinta e sexta-feira em Yalta. No ano passado, uma reunião semelhante reuniu 20 chefes de Estado na Polônia.

"Devido à impossibilidade de alguns líderes de Estado europeus de participarem da cúpula ..., a Ucrânia considera sensato adiá-la", disse o ministério em nota, prometendo anunciar as novas datas em um momento oportuno.

A comunidade internacional reagiu com indignação no mês passado às denúncias de que a ex-primeira-ministra Tymoshenko teria sido espancada por guardas na prisão. Os Estados Unidos e a União Europeia apontaram motivação política no julgamento de Tymoshenko e nos sete anos de prisão impostos a ela pela acusação de abuso de poder.

As autoridades negam ter maltratado a carismática política, uma das protagonistas da Revolução Laranja, série de protestos populares em 2004 que inviabilizou a primeira candidatura presidencial de Yanukovich.

A ameaça de boicote e posterior cancelamento da cúpula de Yalta mostra o crescente isolamento da Ucrânia às vésperas de o país sediar a Eurocopa junto com a Polônia. O torneio europeu de seleções vai de 8 de junho a 1o de julho, e alguns líderes europeus ameaçam boicotá-lo também.

Yanukovich diz que não irá interferir em uma sentença soberana do Judiciário, mas as autoridades também abriram um novo processo contra a líder oposicionista, por evasão fiscal, o que pode resultar em uma pena de até 12 anos.

A política, de 51 anos, está em greve de fome desde 20 de abril. Sua transferência para o hospital, prevista para quarta-feira, deve ofuscar as celebrações governamentais do Dia da Vitória, que celebra o triunfo soviético sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial.

(Reportagem adicional de Gabriela Baczynska, em Varsóvia; e de Olzhas Auyezov e Sergiy Karazy)

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