Centenas de ativistas anti-Putin são presos na Rússia

Mais de 500 manifestantes foram presos na segunda-feira em manifestações contra supostas fraudes na eleição de Vladimir Putin para a Presidência russa, num pleito que segundo observadores estrangeiros teve manipulação a favor do atual premiê.

LIDIA KELLY E ALISSA DE CARBONNEL, REUTERS

05 de março de 2012 | 19h30

Putin, que teve quase 64 por cento dos votos, disse que sua volta à Presidência foi um triunfo sobre oponentes que tentavam usurpar o poder.

Líderes da oposição disseram que 20 mil pessoas se reuniram na praça Pushkin, em Moscou, cenário de protestos de dissidentes durante o regime soviético. Eles pediram a repetição das eleições e a abertura do sistema político moldado por Putin em seus 12 anos de hegemonia política (de 2000 a 2008 como presidente, e desde então como premiê).

"Eles nos roubaram", disse à multidão o ativista Alexei Navalny, que tem um blog sobre a corrupção. "Nós somos o poder", bradou ele, que logo depois passaria três horas detido. Os manifestantes reagiram com gritos de "Rússia sem Putin" e "Putin é um ladrão".

O clima na manifestação, inicialmente descontraído, ficou tenso quando a tropa de choque chegou para dispersar os milhares de ativistas presentes na praça. Líderes da oposição disseram que entre 500 e mil pessoas foram detidas. Pela versão da polícia, foram 250 detidos entre 14 mil manifestantes.

O embaixador dos EUA na Rússia, Michael McFaul, disse pelo Twitter que as prisões foram perturbadoras, e que a liberdade de reunião e expressão deveria ser um valor universal.

Milhares de partidários de Putin realizaram outra manifestação, nos arredores das muralhas vermelhas do Kremlin.

Em São Petersburgo (noroeste), cidade natal de Putin, até 3.000 pessoas participaram de um protesto contra o presidente eleito, segundo testemunhas, e pelo menos 300 foram detidas.

Monitores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa ecoaram as queixas da oposição, dizendo que o processo eleitoral foi manipulado para favorecer Putin.

"O importante nas eleições é que o resultado deveria ser incerto. Não foi o caso na Rússia", disse na segunda-feira o monitor Tonino Picula. "Segundo nossas avaliações, essas eleições foram injustas."

O Departamento de Estado dos EUA pediu uma investigação "independente e crível" sobre as supostas violações.

A Golos, uma entidade independente de monitoramento eleitoral, disse ter recebido mais de 3.500 denúncias de fraudes e irregularidades.

Os monitores dizem que houve menos fraudes do que na eleição parlamentar de 4 de dezembro, mas que Putin se beneficiou da cobertura midiática e da máquina pública. Embora as conclusões dos observadores não tenham consequências jurídicas, elas contradizem as declarações das autoridades sobre a lisura do pleito.

Num tom conciliador, Putin convidou os candidatos presidenciais derrotados para conversarem, mas o comunista Gennady Zyuganov, segundo colocado na votação, não participou.

Tudo o que sabemos sobre:
RUSSIAPUTINPROTESTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.