Oscar del Pozo/AFP
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Centenas de pessoas protestam contra medidas de isolamento no sul de Madri

Os manifestantes pediram a renúncia da presidente regional e alegam que o governo está tomando medidas discriminatórias contra bairros do sul da capital, os mais populosos e com um nível econômico mais baixo

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2020 | 11h07

MADRI - Centenas de pessoas se reuniram neste domingo em Madri para protestar contra as restrições impostas pelo governo regional no sul da cidade para enfrentar a pandemia de covid-19. O Ministério da Saúde pede que as medidas se estendam a toda a capital.

O protesto foi convocado por sindicatos, partidos de esquerda e várias associações e concentrou moradores em seis pontos da capital, entre elas o popular bairro de Vallecas, onde está a sede do governo regional.

Os manifestantes pediram a renúncia da presidente regional, a conservadora Isabel Díaz Ayuso (PP), pela gestão da pandemia. Eles alegam que o governo está tomando medidas discriminatórias contra bairros do sul, os mais populosos e com um nível econômico mais baixo.

Na concentração na Puerta del Sol, o centro nervoso da capital e onde está localizado o governo regional, o presidente da Federação Regional das Associações de Bairro, Quique Villalobos, destacou que a resposta do Executivo de Madrid é um "desastre", e apelou a um tratamento "justo e não discriminatório".

Tensão entre governo e comunidade

Enquanto isso, aumenta a tensão entre o Ministério da Saúde, que exige do Governo de Díaz Ayuso medidas mais restritivas para impedir a expansão do coronavírus, e o Executivo de Madrid, que resiste a tomá-las.

O Ministro da Saúde, Salvador Illa, intimou neste domingo o Governo de Madrid a "rever as médias anunciadas e seguir recomendações de cientistas e profissionais de saúde". No sábado, Illa afirmou que Madri se encontra “numa situação de grave risco sanitário".

Os números do contágio não param de subir em Madrid. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, já foram notificados 213.709 casos, 1.001 apenas nas últimas 24 horas. A pressão hospitalar também está aumentando, com 25,4% das leitos ocupados por pacientes com covid-19, segundo o Ministério, enquanto que a média para a Espanha é de 8,14%.

Com esses dados, a Comunidade de Madrid anunciou nesta sexta-feira a extensão das novas restrições de mobilidade, que já afetam a uma população de 1.025.000 pessoas, mas não a estendeu a toda capital, a pedido do Ministério, que também quer aplicar às populações da região que ultrapassam 500 casos para cada

100.000 habitantes nos últimos quinze dias.

Nesta encruzilhada de declarações, o presidente de Madrid afirmou hoje em uma entrevista de rádio que concordaria em fechar aquelas populações se for "em toda a Espanha" e se os testes de PCR forem feitos no Aeroporto de Baraja e nos trens, que segundo o governo regional, é onde entram os contágios./EFE

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