Cética com diálogo, França diz que Irã tem 'duas caras'

A França manifestou na quarta-feira seu ceticismo quanto à retomada das negociações multilaterais sobre o programa nuclear do Irã, dizendo que o país não demonstra uma disposição sincera em abandonar suas atividades suspeitas.

JOHN IRISH, REUTERS

07 Março 2012 | 20h11

A chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, que representa seis potências mundiais (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) nos contatos com o Irã, disse na terça-feira que o regime islâmico aceitou a retomada das negociações multilaterais, após um hiato de um ano.

O processo pode atenuar os temores de um conflito armado no Oriente Médio, num momento em que Israel ameaça ignorar os alertas de Washington e atacar militarmente as instalações nucleares iranianas, o que poderia ter consequências nefastas para o comércio de petróleo e a economia mundial como um todo.

Mas o chanceler francês, Alain Juppé, manifestou dúvidas quando ao sucesso do diálogo. "Estou um pouco cético (...). Acho que o Irã continua a ter duas caras", disse ele ao canal de TV i-Tele.

"Por isso acho que devemos continuar sendo extremamente firmes nas sanções (já impostas ao Irã), as quais na minha opinião são a melhor forma de evitar uma opção militar que teria consequências imprevisíveis."

Os EUA e seus aliados acreditam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares secretamente, algo que a República Islâmica nega, dizendo que seu objetivo é apenas a geração de energia para fins pacíficos. Washington não descarta uma ação militar, mas diz que é preciso dar tempo para que a diplomacia e as sanções funcionem.

Questionado sobre as expectativas norte-americanas com relação à retomada do diálogo, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, respondeu: "Vamos exigir que o Irã cumpra suas obrigações internacionais, que ofereça garantias verificáveis de que não está buscando uma arma nuclear".

Ele acrescentou que a "abordagem com pista dupla" - mesclando sanções financeiras e negociações diretas - deve ser mantida.

"Não vamos esmorecer nos nossos esforços por meio de sanções e outras medidas para isolar e pressionar o Irã. As ações são o que importa aqui, e vamos julgar o Irã por suas ações", afirmou.

A chancelaria iraniana disse que a postura ocidental antes das novas negociações deveria ser mais construtiva.

"A política de confronto com relação ao Irã não foi frutífera até agora, e é melhor que ao invés disso as autoridades relevantes adotem uma interação construtiva", disse o porta-voz Ramin Mehmanparast à agência estatal de notícias Irna.

Mais conteúdo sobre:
FRANCAIRACETICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.