Chamar líder sírio de ilegítimo é 'contraproducente', diz Rússia

As opiniões de países ocidentais e árabes de que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, é ilegítimo são contraproducentes para o estabelecimento da paz na Síria, afirmou o enviado da Rússia para o Oriente Médio nesta sexta-feira.

REUTERS

16 de março de 2012 | 09h11

"O povo sírio deve determinar quem vai liderar o seu país e por isso a opinião de alguns de nossos parceiros estrangeiros dificilmente irá promover uma solução", disse o vice-chanceler Mikhail Bogdanov em entrevista coletiva.

Ele afirmou que as declarações de outros países sobre a ilegitimidade de Assad e os pedidos para ele renunciar "são contraproducentes porque enviam à oposição um falso sinal de que não há sentido entrar em um diálogo".

Os Estados Unidos e outros países ocidentais e árabes disseram que o uso da violência por Assad contra o seu próprio povo mostra que ele não serve mais para liderar o país.

A Rússia, que tem uma base naval na Síria e é o principal fornecedor de armas ao país, vetou duas resoluções do Conselho de Segurança da Organização nas Nações Unidas destinadas a isolar o líder e pediu diálogo entre o governo e a oposição.

Bogdanov criticou nações que fecharam embaixadas e cortaram os laços diplomáticos com a Síria, dizendo que as autoridades são um dos lados do conflito e "manter os laços e contatos com elas é uma condição absolutamente necessária" para encontrar uma solução.

Ele reiterou os chamados da Rússia para um fim imediato da violência pelas forças do governo e seus oponentes, um mecanismo de acompanhamento para garantir que nenhum lado use um cessar-fogo em proveito próprio e o início rápido de um diálogo entre o governo e os adversários sem condições prévias ou "resultados pré-determinados", como a saída de Assad do poder.

(Reportagem de Steve Gutterman)

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