Fredrik von Erichsen/Efe
Fredrik von Erichsen/Efe

Chanceler alemã evoca unificação do país para superar crise

Angela Merkel pediu a cidadãos que romperam Cortina de Ferro para manter coragem mostrada na época

Efe,

03 de outubro de 2009 | 11h58

A chanceler alemã, Angela Merkel, evocou neste sábado, 3, como "verdadeiros agentes da unidade" da Alemanha e da Europa os cidadãos que romperam a Cortina de Ferro atrás da liberdade, e pediu para manter viva a coragem mostrada nessa época para superar o grande desafio do presente, a crise econômica global.

 

"A unidade foi possível porque milhares de pessoas concretizaram seu desejo de liberdade em coragem cívica. A ânsia de liberdade do povo nos trouxe a unidade", afirmou, na comemoração do tratado assinado em 3 de outubro de 1990 que dissolveu a República Democrática Alemã (RDA).

 

"Precisamos da força produtiva de 1989, quando o povo mostrou toda sua força, para assumir os desafios atuais", enfatizou Merkel em Saarbrücken, no dia da Unidade Alemã, próximo ao 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

 

O desafio agora é superar a crise econômica provocada "pelos excessos de alguns banqueiros", lembrou Merkel, quase uma semana após sua reeleição e a caminho de formar um governo em coalizão com os liberais. "A liberdade deve estar ligada ao senso de responsabilidade", disse.

 

"Os tempos dos excessos ficaram para trás, resta superar seus estragos, como devemos fazer com as marcas da divisão alemã", disse a chanceler, que em 2005 se tornou a primeira mulher - e do leste - a chegar à chefia de um governo federal alemão.

 

Por causa de sua biografia - ela cresceu no leste e entrou na política com a reunificação -, Merkel representa a primeira chefe de um governo realmente integrador entre as duas partes do país.

 

Com Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU) recuperou a posição de principal força no leste, onde, pela primeira vez em anos, a legenda alcançou níveis parecidos no resto do país (32,2%, frente a 33,8% do computo global).

 

A face positiva da unificação é a posição da Alemanha no mundo, como potência respeitada, mas não temida, enquanto o outro lado da moeda é o desnível econômico e social persistente entre as duas partes do país.

 

O índice de desemprego do leste ainda é o dobro da taxa do oeste, e os níveis salariais e das aposentadorias não estão equiparados. Desde 1990, mais de 1,5 milhão de cidadãos do leste emigraram ao oeste, em busca de melhores perspectivas trabalhistas.

 

Com isso, ocorreu o progressivo despovoamento dos tempos da RDA, da qual entre 1945 e 1990 fugiram cerca de 4,6 milhões de pessoas, só que agora quem vai para o oeste não deve temer por sua vida.

 

As comemorações do Dia da Unidade estiveram envolvidas em medidas de segurança reforçadas a níveis pouco frequentes na Alemanha, após a difusão nas últimas semanas de vários vídeos da Al Qaeda anunciando um "amargo despertar" para o país.

 

A Al Qaeda exige do novo governo de Merkel a retirada das tropas do Afeganistão - o contingente alemão é o terceiro na missão internacional desse país, após EUA e Reino Unido.

 

Festa

 

Berlim teve uma festa na rua, cenário de teatro andarilho para um conto protagonizado por uma personagem maior, símbolo da República Federal da Alemanha (Alemanha), e outra representando a RDA.

 

O espetáculo, obra da Compagnie Royal de Luxe, começou na sexta-feira, 2, com o "despertar" da marionete menor, a Alemanha comunista, do coração do antigo setor leste.

 

A marionete maior foi içada neste sábado das águas do rio Spree, perante a estação central ferroviária, e começou a busca da outra personagem, em direção ao Portão de Brandeburgo.

 

Com esta alegoria bem-intencionada - e paternalista - foi representado o reencontro familiar das duas "Alemanhas", separadas durante décadas e emergindo reunificadas no coração de Berlim.

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