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Chanceler britânico fala sobre Assange com ministro equatoriano

Criador do WikiLeaks está refugiado na Embaixada do Equador em Londres

Reuters

27 de setembro de 2012 | 15h19

NAÇÕES UNIDAS - O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, tentou nesta quinta-feira, 27, tranquilizar o chanceler equatoriano sobre o destino do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, dizendo que a lei de extradição britânica tem "extensas salvaguardas dos direitos humanos". Assange permanece na embaixada equatoriana em Londres desde junho a fim de evitar sua extradição para a Suécia, onde é acusado de estupro e agressão sexual.

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Os advogados de Assange e o governo do Equador temem que a ida dele para a Suécia acarretaria uma extradição aos EUA, onde ele pode ser processado pela publicação no WikiLeaks de milhares de documentos diplomáticos norte-americanos que expuseram as manobras do governo dos Estados Unidos ao redor do globo.

Hague encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, nos bastidores da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para discutir o caso, depois que o Equador concedeu, em agosto, asilo político a Assange e irritou a Grã-Bretanha.

"Ambos os ministros concordaram que estão comprometidos em buscar uma solução diplomática para o caso do sr. Assange. Eles estão dispostos a se reunir de novo nesse nível a fim de prosseguir com essas trocas", disse o porta-voz de Hague em uma declaração. A Grã-Bretanha diz ser obrigada a extraditar Assange para a Suécia e que não permitirá que o australiano de 41 anos saia da embaixada e viaje para o país da América do Sul.

Patiño compareceu a um evento em Nova York na quarta-feira no qual Assange falou via vídeo link desde Londres. Assange criticou o presidente dos EUA, Barack Obama, por defender a liberdade de expressão no Oriente Médio enquanto "persegue" a sua organização pelo vazamento dos materiais diplomáticos em 2010.

O Equador quer que a Grã-Bretanha dê a Assange garantias por escrito de que ele não será extraditado da Suécia para algum terceiro país. O Equador e os advogados de Assange afirmam que, se ele for extraditado para os EUA da Suécia, ele poderá enfrentar condições prisionais "desumanas" e até mesmo a pena de morte.

"O secretário de Relações Exteriores descreveu as extensas salvaguardas de direitos humanos na lei de extradição britânica. Ele pediu que o governo do Equador estude bem essas cláusulas na consideração do que vem pela frente", disse o porta-voz de Hague.

"O secretário de Relações Exteriores disse ao ministro Patiño que o Reino Unido tem a obrigação de extraditar o sr. Assange para a Suécia. O conceito de ‘asilo diplomático', embora bem estabelecido na América Latina, não é caracterizado na lei britânica", afirmou ele.

Em uma entrevista à Reuters na quarta-feira, Patiño deixou claro que o Equador não está disposto a ceder muito. "A bola está no campo deles agora", afirmou Patiño. O ministro equatoriano tinha em mãos uma cópia mimeografada de um acordo de 1880, assinado pela Grã-Bretanha e pelo Equador, que proíbe a extradição em casos como o de Assange. Ele disse que planejava mostrar o documento para Hague.

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