Haraz N. Ghanbari/AP
Haraz N. Ghanbari/AP

Chanceler russo aperfeiçoa arte de dizer 'niet'

Sergei Lavrov já disse 'não' três vezes no Conselho de Segurança da ONU para blindar o regime sírio

Reuters, Reuters

06 de agosto de 2012 | 10h59

MOSCOU - O chanceler russo, Sergei Lavrov, já disse tantas vezes "não" ao Ocidente com relação à Síria que pode rivalizar com um antecessor soviético pelo apelido de "Sr. Niet". Esse diplomata experiente, um fumante inveterado, está se mostrando tão rígido na condução das relações internacionais quanto Andrei Gromiko, que foi chanceler da União Soviética entre 1957 e 85, e ganhou o apelido de "Sr. Não".

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Isso tem ficado especialmente claro diante das iniciativas dos EUA e de seus aliados para imporem sanções à Síria e derrubarem o presidente Bashar Assad. A Rússia, principal aliada de Assad no cenário internacional, já usou em três ocasiões seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para blindar o regime sírio. 

A posição de Lavrov nesse conflito irrita muitos governos ocidentais, mas tem sido elogiada na Rússia. Para o belicoso presidente Vladimir Putin, de volta ao cargo após quatro anos como primeiro-ministro, trata-se do homem certo no lugar certo e na hora certa.

Aos 62 anos, Lavrov, ex-embaixador russo na ONU, parece se deleitar com o desafio. Habituado a críticas, ele faz da obstrução diplomática uma arte, e reitera sua posição sempre que a posição russa é recriminada.

"É um jogo diplomático para Sergei Lavrov", disse Fyodor Lukyanov, editor da revista Russia in Global Affairs.

Quem duvidava da teimosia de Lavrov antes do conflito na Síria deveria observar sua postura desde 2003, quando desafiou as tentativas do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para proibir o fumo na sede da ONU, em Nova York. Lavrov continuou fumando, e disse que Annan "não é o dono deste prédio".

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