Chanceler turco busca Presidência mas enfrenta oposição laica

O chanceler Abdullah Gul confirmou naterça-feira sua intenção de se candidatar novamente àPresidência da Turquia, com apoio de seu partido, o governistaAK. Mas ele enfrentará hostilidade de partidos laicos devido aseu histórico na militância islâmica. Membros do AK, um partido de centro-direita e com raízesreligiosas, disseram na noite de segunda-feira que Gul vai secandidatar novamente, o que pode reacender as tensões entre opartido governista e a poderosa elite laica, que incluigenerais do Exército. A lira turca se desvalorizou 2 por cento diante do dólar, ea Bolsa também caiu, em parte também devido às turbulênciasfinanceiras mundiais. "Vi que meus amigos apóiam minha candidatura à Presidênciae pedi reuniões com líderes políticos (da oposição)", disse Gula jornalistas após um encontro com o dirigente do Partido doMovimento Nacionalista (MHP), de ultradireita, Devlet Bahceli. Gul qualificou a reunião com Bahceli como "muito benéfica efrutífera", mas não disse se o partido vai apoiar suacandidatura. Bahceli abriu efetivamente as portas à candidatura de Gulao anunciar que seus 70 deputados participariam da eleiçãoindireta para a Presidência, o que dá ao governo o quorummínimo de 367 deputados, necessário para que a eleição sejaválida. O AK tem 341 dos 550 deputados. O primeiro turno de votação foi marcado para segunda-feira,mas Gul só teria condições de vencer a partir do terceiroturno, em 28 de agosto, quando precisará apenas da maioriasimples. Os laicos se incomodam com o histórico religioso de Gul ecom o fato de sua mulher usar um véu islâmico. Em maio, aoposição impediu uma primeira candidatura de Gul, o que levou aeleições antecipadas vencidas pelo AK. O partido governista acha que Gul, um diplomata de falamansa, arquiteto da tentativa de adesão turca à União Européia,é o nome mais indicado para suceder o presidente laico AhmedNecdet Sezer, cujo mandato já expirou. O partido diz que sua vitória nas eleições parlamentares de22 de julho lhe dá moral e direito político a relançar acandidatura de Gul e mostra que políticos eleitos, e nãogenerais, comandam este país muçulmano, mas laico, de 74milhões de habitantes. Há apenas 10 anos, o Exército depôs um governo que eraconsiderado islâmico demais. Gul era ministro naquelegabinete.

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