Chávez e Medvedev assinam cooperação econômica e militar

Venezuela e Rússia buscam ser 'contrapeso sólido' aos EUA; Rússia emprestará US$ 1 bi para país comprar armas

Agências internacionais,

26 de setembro de 2008 | 14h42

A Rússia anunciou nesta sexta-feira, 26, que estreitará os laços com a Venezuela como parte de uma política de esforços coordenados para estabelecer um "contrapeso sólido" aos Estados Unidos, informou o Kremlin. "Hoje nós assinaremos uma série de acordos para fortalecer nossa cooperação", declarou o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ao receber seu colega venezuelano, Hugo Chávez. Veja também:Relação com América Latina é prioridade para Rússia, diz PutinRússia emprestará US$ 1 bi para Venezuela comprar armasEspecial: Depois da Guerra Fria   O líder russo não forneceu detalhes referentes aos acordos, mas qualificou-os como "multifacetados" e comentou: "Trata-se de cooperação nos campos econômico e militar". A expectativa é de que Medvedev e Chávez assinem dois acordos energéticos específicos - referentes a petróleo e gás - durante a reunião, revelou uma porta-voz do Kremlin. Esta é a terceira visita de Chávez a Moscou desde junho do ano passado. Na quinta, o líder venezuelano reuniu-se com o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, que ofereceu ajuda de Moscou a Caracas para o desenvolvimento de um programa nuclear com fins pacíficos. A atual visita de Chávez ocorre em um momento de grande tensão nas relações entre a Rússia e os Estados Unidos. Os atritos bilaterais acentuaram-se depois da guerra travada no mês passado entre a Rússia e a Geórgia, cujo atual governo é considerado aliado pelos EUA. Putin antecipou na quinta à noite a disposição da Rússia de promover a cooperação militar com a Venezuela, que, a partir de 2005, superou US$ 4,4 bilhões e que foi reforçada agora com um crédito russo de US$ 1 bilhão para a aquisição de armamento. No marco de 12 contratos, a Rússia já forneceu para a Venezuela 24 aviões caças-bombardeiros, 50 helicópteros e outro material de guerra, enquanto o presidente venezuelano não esconde seu interesse por sistemas antiaéreos, carros de combate e submarinos. Outra razão para acelerar a cooperação é a "brutal crise financeira nos EUA e em outros lugares do mundo", segundo Chávez. Rússia e Venezuela elaboraram mecanismos que lhes permitem não serem "impactados por essa crise", acrescentou. Apoio no Cáucaso Chávez, que falou à imprensa antes do presidente russo, disse por intermédio de um intérprete que é grato a seu "amigo" Medvedev e reiterou o apoio de Caracas às recentes ações militares da Rússia na Geórgia.  "Eu gostaria de aproveitar a ocasião para manifestar modesto, mas total e sólido, apoio às ações russas no Cáucaso", disse Chávez. "Nós entendemos que o povo da Ossétia do Sul foi atacado pela Geórgia." A Rússia invadiu a Géorgia em 8 de agosto, um dia depois de forças georgianas terem deflagrado uma ofensiva para recuperar a Ossétia do Sul, uma região separatista pró-Moscou.

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