Chefe antiterror será criticado em caso Jean Charles, diz jornal

Guardian afirma que Andy Haymann teria dado informações erradas sobre morte do brasileiro em 2005

BBC Brasil, BBC

01 de agosto de 2007 | 07h19

O chefe da unidade antiterrorismo da polícia de Londres, Andy Hayman, será "duramente criticado" por ter dado informações erradas logo após a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, revelou o jornal britânico The Guardian. Em reportagem de capa, intitulada "Morte de Menezes: chefe de antiterrorismo britânico é apontado", o jornal traz informações contidas no relatório final, conhecido como Stockwell II, que será publicado nesta quinta-feira pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), após dois anos de investigações. Segundo o Guardian, o documento com o resultado da investigação que apura se houve acobertamento de fatos na morte do brasileiro, no dia 22 de julho de 2005, dirá que logo depois do incidente já havia rumores de que o homem que havia sido morto era inocente. Andy Hayman teria se reunido com o chefe da polícia metropolitana, Ian Blair, às 18h daquele dia e não o teria informado sobre a possibilidade de que a polícia teria cometido um erro. "Ian Blair, que disse inicialmente que o homem morto era diretamente ligado a operações terroristas, só soube que ele era inocente no dia seguinte, sábado, dia 23", afirma o Guardian. A confirmação do erro foi feita pela Scotland Yard um dia depois da morte de Menezes e, no mesmo dia, Ian Blair pediu desculpas à família, "descrevendo a morte de Menezes como uma tragédia pela qual a polícia admitia total responsabilidade". O jornal britânico diz ainda que Blair será inocentado no relatório do IPCC da acusação de ter mentido sobre a morte do brasileiro. O Guardian diz que há críticas na forma como o IPCC vem conduzindo as investigações sobre a morte de Menezes. Um primeiro documento da comissão, emitido no início de 2006, não recomendou ações legais contra policiais envolvidos na operação que culminou na morte do brasileiro. Com base nas informações, a Promotoria Pública Britânica decidiu não processar nenhum deles. Uma fonte ouvida pelo Guardian disse ao jornal que "há a idéia de que o IPCC, ao falhar em não recomendar ações legais contra nenhum do policiais envolvidos, esteja atrás de um bode expiatório". O jornal ainda afirma que três policiais que também seriam alvos de críticas no documento que será publicado na quinta-feira teriam entrado com "pedido de revisão judicial alegando que o IPCC teria quebrado algumas regras durante as investigações". Como resultado, sustenta o Guardian, o IPCC teria alterado o relatório, nas últimas duas semanas, para retirar boa parte das críticas feitas aos três policiais. "O IPCC admitiu na noite passada que sofreu ameaças de cunho legal por causa do relatório Stockwell II que pequenas mudanças haviam sido feitas". Jean Charles foi morto com sete tiros na cabeça disparados por policiais britânicos que acreditavam estar atrás de um homem-bomba. A morte, em uma estação de metrô no sul da capital britânica, ocorreu duas semanas após atentados a bomba que mataram 52 pessoas e um dia após novos atentados frustrados na cidade. Em junho, a Alta Corte do Reino Unido confirmou que o inquérito sobre a morte de Jean Charles só será conduzido depois que a polícia londrina for julgada por violar regras de segurança e saúde pública ao executar a operação. O julgamento da polícia londrina está marcado para começar em outubro.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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