Chefe de polícia é inocentado pela morte de Jean Charles

Conclusão foi de que o comissário-assistente Andy Hayman enganou o público, e que Ian Blair não sabia

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

02 de agosto de 2007 | 10h30

Um relatório divulgado na quinta-feira concluiu que o chefe de polícia de Londres não mentiu à população no caso que levou à morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido pela polícia com um terrorista no metrô da capital britânica. Veja também: Relatório confirma falhas graves no caso Jean Charles Família de Jean Charles critica investigação da Scotland Yard Scotland Yard se desculpa pelos "erros" no caso Jean Charles   Mas o relatório disse que o comissário metropolitano Ian Blair não foi corretamente informado por seus subordinados de que um inocente havia sido baleado. A conclusão foi de que o comissário-assistente Andy Hayman enganou o público."O comissário (Blair) de fato fez declarações públicas imprecisas, mas não concluímos que as fez deliberadamente", disse Mehmuda Mian Pritchard, integrante da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia, em entrevista coletiva. "As falhas do senhor Hayman foram as mais graves."O eletricista brasileiro radicado na Grã-Bretanha, então com 27 anos, foi baleado na cabeça quando entrava num trem do metrô na zona sul de Londres, em 22 de julho de 2005.Detetives da Polícia Metropolitana confundiram-no com Hussein Osman, um dos quatro homens condenados no mês passado por tentarem explodir bombas caseiras nos transportes londrinos na véspera do assassinato de Jean Charles.O relatório diz que, na tarde de 22 de julho, Hayman já havia dito a jornalistas que o homem baleado não era um dos quatro supostos militantes procurados.Mas, naquela mesma noite, ele permitiu a divulgação de uma nota à imprensa declarando que não se sabia se o morto era um dos suspeitos.Blair disse na época a jornalistas que o incidente estava diretamente relacionado à gigantesca investigação policial sobre os atentados frustrados. Uma nota oficial da polícia informou ainda que as roupas e o comportamento do brasileiro haviam despertado suspeitas.Somente 24 horas depois Blair admitiu que policiais haviam matado o homem errado. Ele pediu desculpas públicas e admitiu o erro.A pressão daquele momento dramático é sempre citada pela Polícia Metropolitana como justificativa para o erro. Duas semanas antes, em 7 de julho, quatro jovens muçulmanos britânicos haviam realizado os primeiros atentados suicidas da história recente da Europa Ocidental, matando 52 passageiros de três metrôs e um ônibus.Os ataques de 21 de julho foram praticamente idênticos, mas as bombas não explodiram e por isso não fizeram vítimas.No ano passado, promotores decidiram que nenhum agente envolvido na morte de Jean Charles deveria sofrer individualmente processo criminal. Em vez disso, o processo recaiu sobre a corporação policial de Londres como um todo.O julgamento deve começar em outubro.

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