'Chega de sangue', diz novo premiê sérvio, aliado de Milosevic

O novo líder sérvio, aliado do falecido homem-forte Slobodan Milosevic, disse nesta quinta-feira que os Bálcãs deveriam esquecer o passado e não temer o retorno ao poder da aliança política que governava o país na época da sua guerra contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

MATT ROBINSON E ALEKSANDAR VASOVIC, Reuters

26 de julho de 2012 | 19h21

Após 12 anos de governos reformistas, Ivica Dacic tomou posse como primeiro-ministro prometendo acelerar a adesão sérvia à União Europeia, mas sem voltar a tratar do sombrio passado nacional.

"Se dizem que a palavra Bálcãs significa 'sangue e mel', então chega de sangue, é hora de sentir o gosto do mel também", disse o político de 46 anos logo antes de ter o seu gabinete votado pelo Parlamento.

"A Sérvia está oferecendo a mão da reconciliação, para todos. Não tratemos mais do passado, tratemos do futuro."

Dacic chega ao poder numa aliança com os nacionalistas do presidente Tomislav Nikolic, deixando o Ocidente atento para qualquer tentativa do novo governo de desviar a Sérvia do caminho para a UE, traçado pelos reformistas depois da queda de Milosevic, em 2000.

Durante os 13 anos em que Milosevic governou a Sérvia, as forças do país expulsaram centenas de milhares de membros da etnia albanesa de Kosovo, o que motivou a Otan a bombardear a Sérvia durante 11 semanas em 1999, resultando na secessão da província.

Antes, Milosevic havia fomentado guerras na Croácia e na Bósnia, que resultaram na morte de 125 mil pessoas, como parte do processo de desintegração da Iugoslávia. Ele morreu em 2006, enquanto era julgado em Haia por crimes de guerra e genocídio.

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