Chirac é suspeito em vários casos de corrupção na França

Ex-presidente é investigado ainda por apropriação pública indevida e pagamento de falsos funcionários

Agências internacionais,

21 de novembro de 2007 | 13h58

O ex-presidente da França Jacques Chirac foi indiciado nesta quarta-feira por "desvio de dinheiro público" no inquérito que investiga a criação de empregos fantasmas na prefeitura de Paris, de acordo com o advogado dele, Jacques Veil.   Chirac foi prefeito da capital durante 18 anos, entre 1977 e 1995, quando assumiu a presidência do país. O ex-presidente, que nega todas as acusações, ainda deve ser investigado por outros casos ligados com a sua administração municipal. Conheça algumas das acusações contra Chirac:     Desvio de verbas públicas   O caso, um dos vários enfrentados por Chirac, envolve cerca de 40 cargos supostamente distribuídos entre simpatizantes da centro-direita pela Prefeitura de Paris.   Entre 1983 e 1995, várias pessoas tiveram seus salários pagos pela prefeitura de Paris. Os juízes suspeitam que esses cargos, com a denominação de "encarregados de missões", seriam fantasmas. Várias dessas pessoas, que teriam trabalhado como consultores do prefeito, seriam, na realidade, ligadas ao partido União para a República (RPR, na sigla em francês), de Chirac, que se tornou o atual UMP, partido do presidente Nicolas Sarkozy.   No total, cerca de 20 pessoas são investigadas nesse processo por terem se beneficiado de um suposto emprego fantasma ou por terem contratado os envolvidos.   Cargos falsos   Em julho, o ex-presidente foi interrogado em meio a um outro caso, envolvendo supostos cargos falsos. As investigações focam o pagamento fraudulento realizado pela Prefeitura de Paris para membros do partido RPR.   O ex-primeiro-ministro francês Alain Juppé foi por muito tempo o braço direito de Chirac. O ex-premiê foi considerado culpado por envolvimento num caso de financiamento ilegal de postos do RPR, na sigla em francês) durante a década de 1980 e o começo da década de 1990 e condenado a 14 meses de prisão com suspensão dos efeitos da pena. Atualmente, ele ocupa o Ministério do Meio Ambiente.   Os promotores alegaram que Juppé, quando era diretor financeiro de Paris, permitiu que trabalhadores do partido fossem inseridos na folha de pagamento da cidade. Na época, Chirac era o prefeito da capital francesa. A investigação agora quer saber se Chirac escreveu uma carta para Juppé, em maio de 1990, sobre o pedido de recompensa financeira para uma funcionária do partido na folha de pagamento da cidade de Paris.   Euralair   Uma instrução referente à companhia aérea Euralair, aberta em setembro de 2006, em Paris, também pode atingir Chirac. O ex-chefe de Estado e, sobretudo, sua mulher, Bernadette, teriam se beneficiado de passagens aéreas gratuitas também antes da eleição de 1995.   Uma investigação sobre a companhia aérea Euralair apura a "apropriação indevida pública e falsa contabilidade" foi iniciada. O ex-presidente e sua mulher teriam se beneficiado de passagens aéreas.   Clearstream   O caso Clearstream sacudiu a França no ano passado. As alegações eram de que importantes políticos e empresários se beneficiaram de comissões ilegais pagas como parte de um grande contrato de venda de armas para Taiwan.   Já foi provado que essas acusações eram falsas, mas o interesse sobre o caso permanece porque entre os nomes citados na lista falsa de contas no Banco Clearstream de Luxemburgo está o do atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, que na época era ministro do Interior.   As alegações a respeito do ex-presidente Chirac não são de que ele tivesse qualquer envolvimento com o esquema, mas sim de que, depois de saber do caso, ele possa ter acionado uma investigação para verificar se as acusações contra Sarkozy eram verdadeiras. Alegou-se na época que Chirac estaria tentando encontrar algo que pudesse comprometer Sarkozy. As relações entre os dois estavam tensas, e Chirac não parecia ser favorável à candidatura de Sarkozy à presidência.   Tokyo Sowa Bank   Segundo a mídia francesa, investigadores ligados ao caso Clearstream analisam documentos do serviço secreto que mostram que 45 milhões de euros foram transferidos para um banco japonês. Chirac nega a existência de contas secretas.

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaJacques Chirac

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.