Chirac e Villepin negam ter recebido milhões da África

O ex-presidente da França Jacques Chirac e seu primeiro-ministro Dominique de Villepin negaram as acusações de um ex-assessor de que ficaram com milhões de dólares de donativos ilegais feitos por líderes africanos.

NICK VINOCUR, REUTERS

12 Setembro 2011 | 14h44

Em um testemunho explosivo - e difícil de verificar - sete meses antes da eleição presidencial, o advogado Robert Bourgi disse a uma estação de rádio na segunda-feira que ele lhes entregou cerca de 20 milhões de dólares dados por chefes de Estado de antigas colônias francesas. As doações de campanha secretas certas vezes eram dispostas em tambores africanos ou em malas. Tanto Chirac como Villepin planejam entrar com um processo.

Bourgi também foi assessor do presidente Nicolas Sarkozy, mas negou ter entregue dinheiro a ele - uma negativa questionada por outros, incluindo defensores de Villepin, um concorrente em potencial de Sarkozy na eleição de abril. Ambos protagonizam uma amarga disputa dentro do movimento Gaullista que domina há muito tempo a centro-direita francesa.

Os assessores de Sarkozy negam que ele tenha qualquer relação com as acusações, embora a sua rival de extrema-direita, Marine Le Pen, rapidamente previu que o caso afetará a campanha eleitoral do presidente.

Os partidos franceses têm sido envolvidos em vários escândalos desde os anos 1990 por quebrar as rigorosas regras da Justiça com relação ao financiamento de campanha. Bourgi disse que a prática de recorrer a aliados africanos data dos anos 1960 e ele acredita que poucos políticos a desconhecem.

Chirac, cujo partido desfrutou de laços especialmente próximos com os governantes autocráticos das antigas colônias, está sendo julgado sob a acusação de mau uso dos fundos públicos quando prefeito de Paris. Seus advogados dizem que o político, que está com 78 anos, não tem condições mentais para prestar depoimento.

"Eu estimo a quantidade que entreguei a Chirac e a Dominique de Villepin entre 1995 e 2005 em 20 milhões de dólares", disse Bourgi à rádio Europe 1 na segunda-feira, depois de uma entrevista ao jornal dominical Journal du Dimanche, no qual se descreveu um "carregador de sacolas" para os dois políticos.

"Eu vi Chirac e Villepin contarem o dinheiro", afirmou Bourgi sobre suas supostas visitas aos gabinetes para levar as cédulas.

O advogado de 66 anos disse ter levado o dinheiro armazenado em malas ou escondido em uma série de recipientes - de tambores africanos a pôsteres de propaganda. O dinheiro foi doado, disse ele, pelos líderes do Senegal, de Burkina Fasso, da Costa do Marfim, do Congo e do Gabão. Abdoulaye Wade, do Senegal, e Blaise Compaore, de Burkina Fasso, ainda estão no poder.

Mais conteúdo sobre:
FRANCA ESCANDALO AFRICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.