CIA pode responder por torturar preso com cidadania britânica

Governo pede que funcionários respondam processo criminal por abusos contra homem detido em Guantánamo

Efe,

31 de outubro de 2008 | 09h18

Altos funcionários da CIA (agência americana de inteligência) poderiam ter de comparecer perante a justiça britânica por causa de torturas supostamente infligidas a um residente no Reino Unido atualmente internado em Guantánamo e que passou antes por várias prisões secretas, informa a edição desta sexta-feira, 31, do jornal The Independent. A ministra britânica do Interior, Jacqui Smith, pediu à Procuradoria Geral que estude a possibilidade de submeter a processo criminal os norte-americanos supostamente responsáveis pelos abusos cometidos contra Binyam Mohammed durante o tempo que passou em prisões do Marrocos e Afeganistão. Jacqui Smith decidiu agir depois que vários juízes britânicos criticaram os promotores americanos, após examinarem as provas apresentadas de que Mohammed, de origem etíope mas residente no Reino Unido, foi efetivamente submetido a torturas. Uma das acusações feitas é a de que os torturadores de Mohammed usaram uma navalha de barbeiro para fazer cortes em seu pênis. Binyam Mohammed, de 30 anos, que obteve asilo político no país em 1994, acusa os agentes do MI5, serviços secretos britânicos, de não terem dito a verdade sobre o que sabiam dos planos da CIA de levá-lo para uma prisão norte-africana, onde, segundo afirma, foi submetido a torturas terríveis. Mohammed, o último dos cidadãos britânicos ou residentes no Reino Unido que permanece na prisão de Guantánamo, está à espera da decisão que vai ser julgada nessa base americana em território cubano. Seu advogado, Clive Stafford Smith, comemorou a decisão da ministra do Interior britânica de que se averigúem as supostas torturas às quais seu cliente foi submetido e a possibilidade de atuar contra os agentes da CIA. Mohammed foi preso em 2002 no Paquistão, onde um agente secreto britânico o interrogou. Posteriormente foi enviado pela CIA ao Marrocos, onde supostamente foi submetido a torturas durante um ano e meio, após o que foi enviado para outra prisão secreta no Afeganistão, e desde setembro de 2004 está detido em Guantánamo.

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