Michael Probst/AP
Michael Probst/AP

Cidade natal de Karl Marx na Alemanha inaugura estátua controversa

Escultura com mais de 5 metros de altura é um presente da China para marcar os 200 anos do nascimento do pai do comunismo

Reuters

05 Maio 2018 | 13h50

TRIER - Manifestantes de lados opostos levantaram cartazes e bandeiras que diziam “Abaixo o Capitalismo” e “Pai de todos os ditadores” na inauguração da estátua de Karl Marx na cidade alemã de Trier, neste sábado, 5, refletindo o legado polarizador do filósofo em seu berço e no mundo.

A escultura de bronze com mais de 5 metros de altura incluindo sua base é um presente da China para marcar os duzentos anos do nascimento do pai do comunismo. Marx passou os primeiros 17 anos de sua vida em Trier, uma pequena vila às margens do rio Moselle, no extremo oeste da Alemanha. 

Muitos veem a divisão da Alemanha no pós-guerra, com a construção do Muro de Berlim para separar o leste comunista do oeste capitalista como um resultado de suas ideias, mas o prefeito de Trier, Wolfram Leibe, disse que controvérsias históricas deveriam ser reconhecidas. 

“Na Alemanha temos essa situação, de novo e de novo, com difíceis, complexas personalidades da História, nós queremos escondê-las no mato”, disse. “Então foi um ato consciente trazer Karl Marx para a cidade... Não temos que escondê-lo”. 

O conselho municipal aprovou por 42 votos a 7 o recebimento do presente do governo chinês em março de 2017. 

Enquanto alguns o veem como o reconhecimento do filho mais famoso de Trier, outros argumentam que aceitar o presente da China não é compatível com as críticas aos abusos de direitos humanos no país asiático. 

A estátua retrata um Marx pensativo, segurando um livro em uma das mãos. 

“Sim, nós ficamos ao lado do filho de nossa cidade. E lidamos com Karl Marx de maneira construtiva e ativa”, disse Malu Dreyer, premiê do Estado de Rhineland-Palatinate, ao qual pertence a cidade de Trier. “Estamos contentes em receber este presente, este gesto de amizade”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.