Cientistas ingleses testaram gás mostarda em soldados indianos

Segundo "The Guardian", militares fizeram experiências com indianos durante a Segunda Guerra

Efe,

01 de setembro de 2007 | 15h00

Cientistas militares do Reino Unido submeteram soldados indianos a experiências com gás mostarda para determinar que quantidade da substância seria capaz de causar baixas durante uma batalha, revelou hoje o jornal britânico "The Guardian". Segundo a publicação, que teve acesso a documentos descobertos recentemente no Arquivo Nacional britânico, após os experimentos, os especialistas não fizeram testes para saber se os militares indianos desenvolveram alguma doença. Os polêmicos testes com gás mostarda, que pode causar câncer e outras doenças, começaram na década de 30, quando os cientistas britânicos quiseramdescobrir se o gás mostarda causava danos maiores à pele dos indianos que à dos britânicos. Os experimentos se desenvolveram durante mais de dez anos, antes e durante a II Guerra Mundial (1939-45), em uma instalação militar em Rawalpindi, atualmente no Paquistão, quando a Índia ainda era uma colônia do Império britânico. As experiências foram realizadas por cientistas do laboratório de guerra química de Porton Down (sul da Inglaterra), enviados à Índia para desenvolverem gases venenosos que pudessem ser utilizados contra os japoneses.Os experimentos, segundo o "Guardian", são a parte menos conhecida de um programa de testes com humanos conduzido pelos cientistas de Porton, ao qual se submeteram mais de 20 mil soldados britânicos entre 1916 e 1989, muitos dos quais foram enganados e tiveram sua saúde prejudicada. O jornal calcula em 500 o número de soldados britânicos e indianos expostos ao gás mostarda. Em alguns casos, a única proteção com que contavam os soldados da colônia era uma máscara antigás. Segundo os próprios cientistas de Porton, em 1942, um "grande número" de queimaduras provocadas pelo gás foi registrado entre os soldados britânicos e indianos submetidos aos experimentos, alguns tão severos que forçaram a internação de militares. "Espantaria saber que esses indianos deram seu consentimento para participar destes experimentos, sobretudo porque eles foram realizados ainda noperíodo colonial", disse ao "Guardian" Alan Care, advogado que representa os soldados britânicos submetidos a experiências em Porton.

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