Cientistas italianos são condenados por não preverem terremoto

Seis cientistas e um funcionário público foram sentenciados nesta segunda-feira na Itália a seis anos de prisão por homicídio culposo por deixarem de alertar adequadamente sobre um terremoto que matou mais de 300 pessoas em 2009 em L'Aquila.

ALBERTO SISTO, Reuters

22 de outubro de 2012 | 18h17

Os sete réus são parte da Comissão Nacional para a Previsão e Prevenção de Grandes Riscos e foram acusados de negligência e incompetência na avaliação dos riscos e na difusão das informações.

Organismos científicos internacionais criticaram o processo contra os cientistas, argumentando que o risco judicial pode demover os cientistas de assessorar governos ou mesmo de trabalhar em campos como sismologia e avaliação de riscos sísmicos.

"A questão aqui é da falha de comunicação na ciência e não deveríamos colocar na prisão cientistas responsáveis, que deram informações mensuradas e cientificamente precisas", disse Richard Walters, do Departamento de Ciências de Terra, da Universidade de Oxford.

Os técnicos do governo foram acusados de transmitirem às autoridades uma avaliação excessivamente tranquilizadora sobre a situação geológica de L'Aquila, cidade com muitos edifícios antigos e frágeis e que já havia sido parcialmente destruída por três terremotos ao longo dos séculos.

O tremor de magnitude 6,3, ocorrido às 15h32 de 6 de abril de 2009, destruiu dezenas de milhares de construções na cidade, que fica na região italiana de Abruzzo, e deixou 308 mortos e mais de mil feridos.

Promotores dizem que tremores de baixa intensidade nos meses anteriores deveriam ter servido de alerta para os cientistas.

(Reportagem adicional de Cristiano Corvino e Kate Kelland, em Londres)

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