Andy Rain/Efe
Andy Rain/Efe

Clegg nega denúncias sobre doações irregulares de empresários

Segundo o 'Daily Telegraph', liberal democrata teria recebido dinheiro não declarado em sua conta

estadão.com.br

22 de abril de 2010 | 11h00

LONDRES - O liberal democrata Nick Clegg, candidato ao cargo de primeiro-ministro no Reino Unido, negou nesta quinta-feira, 22, as denúncias feitas pelo jornal The Daily Telegraph de que teria recebido doações de campanha diretamente em sua conta bancária para pagar assessores. As informações são do jornal britânico The Guardian.

 

As doações no Reino Unido são geralmente depositadas nas contas dos partidos para evitar suspeitas, mas Clegg, que se tornou líder do partido em 2007, recebeu quantias de dinheiro regularmente de três empresários em 2006, segundo o Telegraph.

 

"As doações foram feitas sem irregularidades e declaradas. Elas foram usadas para pagar parte do salário de membros adicionais da equipe parlamentar de Nick Clegg", disse um porta-voz do Partido Liberal Democrata. Ele acrescentou que "qualquer acusação de impropriedade é inaceitável".

 

Clegg disse que todo o dinheiro foi usado para pagar funcionários e não para gastos pessoais. Ele disse que o sistema de doações mudou desde que ele se tornou líder do partido e que desde então elas eram feitas diretamente para os membros do partido. "Todas os pagamentos foram declarados como um item nos registros dos membros e usados apropriadamente para pagar funcionários da minha equipe", disse Clegg.

 

Apesar das alegações do liberal democrata, Alistair Graham, ex-chefe do Comitê de Padrões da Vida Pública, disse ao Telegraph que o processo foi "irregular" e que "Clegg precisa se explicar". Segundo Graham, deve haver uma checagem independente nas contas.

 

Martin Bell, ex-parlamentar do partido independente, disse que "claramente há questões a serem esclarecidas". "Clegg precisa nos mostrar que esse depósito foi legítimo", disse.

 

Os empresários que pagaram Clegg são Ian Wright, alto executivo da Diageo; Neil Sherlock, chefe de assuntos públicos da KPMG; e Michael Young, ex-executivo de uma mineradora. Segundo as prestações de contas de Clegg ao Parlamento, cada um teria pago até 250 libras (cerca de US$ 395) por mês e estavam satisfeitos por ajudar a pagar funcionários.

 

As denúncias contra Clegg ocorrem em um momento no qual o candidato emergiu como um forte nome para liderar o Reino Unido. Pesquisas indicam os liberais democratas no primeiro lugar das intenções de votos desde que foi realizado um debate entre Clegg e os outros candidatos, o primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown e o conservador David Cameron. Clegg foi apontado como vencedor do primeiro debate preparatório para as eleições do dia 6 de maio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.