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Coalizão de esquerda vence a eleição geral na Islândia

Aliança derrotou o Partido Independência, considerado como responsável pelo colapso do sistema bancário

AE-AP,

26 de abril de 2009 | 10h01

A coalizão de esquerda da Islândia venceu a eleição geral no país, de acordo com resultado final divulgado neste domingo, 26, marcando a derrota do Partido Independência, pró empresas, considerado por muitos eleitores como o responsável pelo colapso do sistema bancário islandês.

 

Os resultados mostram que a coalizão de esquerda composta pela Aliança Social Democrata e o Movimento Verde de Esquerda obteve 34 dos 63 assentos no Parlamento.

 

Todas as cinco seções eleitorais completaram a contagem com 97,9% dos votos apurados. Os sociais democratas conquistaram 30,5% dos votos, ou 20 assentos no Parlamento, enquanto o Movimento Verde de Esquerda obteve 21,5%, ou 14 assentos. Há tempos, os dois partidos anunciaram a intenção de formar um governo de coalizão.

 

O Partido Progressista recebeu 14% dos votos, ou 9 assentos, enquanto o Movimento dos Cidadãos obteve 7,2% dos votos, ou 4 assentos. "Os resultados (da eleição) dão aos sociais democratas uma forte posição e coloca pressão sobre o Movimento Verde de Esquerda", disse o analista político Egill Helgason.

 

Os Social Democrata e o Verde de Esquerda são parte de um governo provisório que tomou posse em fevereiro com a queda da administração conservadora anterior em razão dos protestos públicos gerados pelo colapso econômico. A coalizão de esquerda é liderada pela primeira-ministra interina Johanna Sigurdardottir.

 

O comparecimento as urnas foi de pouco mais de 85% - ligeiramente superior à taxa das eleições de 2007. O resultado final foi uma esmagadora rejeição do conservador Partido Independência, que sustentou uma maioria parlamentar por cerca de 70 anos. Embora o Partido Independência tenha recebido 23,7% dos votos, ou 16 assentos, muitos atribuem a culpa dos problemas econômicos do país aos seus líderes.

 

A crise financeira global atingiu fortemente a população de 320 mil islandeses da pequena ilha vulcânica. Depois de acumular um volume gigantesco de dívidas durante anos de frouxa regulamentação financeira e de rápida expansão, os três principais bancos da Islândia faliram no período de uma semana em outubro.

 

O governo buscou uma ajuda de US$ 10 bilhões liderada pelo FMI, mas a moeda do país, a coroa islandesa, despencou. A taxa de desemprego e a inflação dispararam e o FMI estima que a economia islandesa vai encolher cerca de 10% em 2009, o que seria o maior declínio econômico do país desde que obteve a total independência da Dinamarca em 1944.

 

No geral, os partidos ofereceram soluções vagas para lidar com os atuais problemas financeiros da Islândia. Os sociais democratas prometeram criar 6 mil novos empregos nas indústrias de construção, turismo, pesca e energia. Eles também defendem uma mudança constitucional que tornaria os recursos naturais propriedade pública. Os Verdes de Esquerda prometeram reduzir a dívida externa, as taxas de juro e o déficit comercial da Islândia.

 

Contudo, a grande questão na eleição foi a associação na União Europeia (UE), que muitos veem como uma solução mágica para os problemas financeiros da Islândia apesar do processo poder levar anos.

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