Coalizão pró-ocidente chega ao fim na Ucrânia

Nova maioria no Parlamento deve ser formada por partido dissidente e pró-russos no prazo de 30 dias

Efe e Associated Press,

16 de setembro de 2008 | 07h58

O presidente da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, anunciou nesta terça-feira, 16, a ruptura da coalizão parlamentar pro-Ocidente, que respaldava o governo da primeira-ministra Yulia Timoshenko. A aliança era integrada pelo bloco formado pelo partido do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, a legenda Autodefesa Popular, e o Bloco de Yulia Timoshenko, todos protagonistas da "revolução laranja" de 2004.   Timoshenko e o gabinete de Ministros continuarão interinamente até a formação de uma nova coalizão de maioria, seja na atual legislatura ou na que resultar da realização de eleições antecipadas. Segundo a Constituição da Ucrânia, o chefe do Estado pode dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas caso não se estruture uma nova maioria parlamentar em um prazo de 30 dias.   No dia 3 de setembro, em mensagem transmitida pela TV aos ucranianos, Yushchenko denunciou que "foi formada na Rada uma nova maioria, que não se baseia nos interesses dos ucranianos, do Estado". Segundo Yushchenko, essa "nova maioria" é integrada pelo Bloco de Yulia Timoshenko (BYT), o Partido Comunista e o pró-russo Partido das Regiões.   O discurso do chefe do Estado, que representou a ruptura com sua primeira-ministra, aconteceu um depois das três legendas votarem uma série de emendas que restringem os poderes presidenciais. Os parlamentares aliados de Yulia se aliaram com a oposição, para apoiar uma lei que tira poderes do presidente e fortalece a primeira-ministra. "Aconteceram eventos que puseram fim à coalizão democrática e a causa é uma: a luta pelo poder", disse então Yushchenko, que qualificou a votação na Rada de "começo de um golpe de Estado político e constitucional".   Na ocasião, o presidente ucraniano advertiu aos deputados que fará uso de sua prerrogativa de convocar eleições parlamentares antecipadas caso que não se forme uma nova coalizão de maioria no prazo que estipula a Constituição. De acordo com a Constituição ucraniana, a coalizão de maioria, encarregada de apresentar ao chefe do Estado a candidatura do primeiro-ministro, deve estar integrada por pelo menos 226 dos 450 membros da Rada.   Yulia e Yushchenko são possíveis rivais nas eleições presidenciais, em 2010. Os dois vivem em um cabo-de-guerra desde que ela assumiu o cargo de primeira-ministra, no ano passado. Yushchenko foi eleito presidente da Ucrânia em 26 de dezembro de 2004, após a chamada Revolução Laranja - uma série de protestos contra o que a população considerou uma fraude no segundo turno eleitoral em favor do candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovich. Durante a campanha, Yushchenko foi envenenado por uma substância chamada dioxina, que o deixou com o rosto inchado e deformado.

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