Cocaína avança na Europa, diz agência antidrogas

Preço da cocaína caiu quase 22% entre 1999 e 2004, mas ainda custa quase o dobro do que nos EUA

Reuters,

28 de setembro de 2007 | 15h34

Cada vez mais europeus estão usando cocaína devido à queda no preço do produto no continente, informou o chefe da agência antidrogas da União Européia, Wolfgang Goetz, em entrevista à Reuters.   Segundo ele, o tráfico pela África contribui com o aumento da oferta de cocaína na Europa, onde o consumo atinge níveis recordes. "É um problema sério. A cocaína costumava ser uma droga da alta sociedade. Hoje ela está na rua e você a vê em diferentes níveis [sociais]. Vai em todas as direções", afirmou.   O Centro Europeu de Monitoramento de Drogas (EMCDDA, na sigla em inglês), com sede em Lisboa, relatou em 2006 que cerca de 3,5 milhões de europeus haviam usado cocaína nos 12 meses anteriores, o que significa quase 1% da população.   A cocaína é a segunda droga ilícita mais consumida na Europa, atrás apenas da cannabis (maconha e haxixe). Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que seu uso na Europa quase triplicou em uma década.   O EMCDDA disse no ano passado que o preço da cocaína caiu quase 22% entre 1999 e 2004, embora ainda custe na Europa quase o dobro que nos Estados Unidos, segundo o valor estimado pela DEA (agência antidrogas dos EUA).   O EMCDDA vai divulgar em 22 de novembro seu relatório de 2007 sobre o uso de drogas na Europa.   Goetz disse que o consumo de cocaína ainda pode crescer mais. "Há elementos como moda, como copiar o estilo dos outros. Acho que isso tem um papel enorme", afirmou ele em entrevista na quinta-feira.   "O outro elemento é que a cocaína se tornou mais barata em toda a Europa nos últimos cinco anos, e cada vez mais gente tem dinheiro para comprá-la."   Novos corredores   O aumento da demanda levou os cartéis latino-americanos a buscarem na África, especialmente a Ocidental, novos corredores para o tráfico.   "Temos informações, boas informações, de que outras rotas de tráfico estão sendo cada vez mais usadas - via países sul e centro-americanos e indo pela África", disse Goetz.   "Guiné-Bissau é um exemplo, um exemplo sério, mas claramente não é o único país sendo envolvido no narcotráfico. A Nigéria é outro caso."   Espanha e Portugal, que têm fortes laços históricos, geográficos e culturais com a África e a América Latina, origem da cocaína, apreenderam em 2006 cerca de 70 toneladas do produto, quase a mesma quantidade apreendida em toda a Europa em 2004.   Um funcionário da ONU alertou nesta semana que Guiné-Bissau, ex-colônia portuguesa na África, pode "explodir" em poucos meses se a comunidade internacional não impedir que os traficantes brasileiros e colombianos dominem o país.   Segundo Goetz, a UE - cuja presidência neste semestre cabe a Portugal - discute com a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Ecowas, que reúne 15 países) formas de combater o narcotráfico. O tema deve estar também na pauta da cúpula UE-África, em dezembro, a primeira do gênero em sete anos.   No domingo, Portugal inaugura o Centro de Operações e Análise Marítima da UE para Narcóticos, destinado a tentar conter o tráfico por mar.

Tudo o que sabemos sobre:
drogasEuropa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.