Código entre professores evitou mais mortes em escola alemã

Diretor avisou sobre atirador para que portas e janelas fossem fechadas; pai pode ser acusado de negligência

Reuters e Associated Press,

12 de março de 2009 | 13h27

Apesar do grande número de mortos, o ataque poderia ter sido pior se o diretor da escola secundária não tivesse conseguido avisar os professores com um código anteriormente combinado no sistema de comunicação quando o suspeito entrou na escola. Depois que o adolescente chegou à escola e abriu fogo, o diretor transmitiu a mensagem em código para os professores. "Então, nosso professor fechou a porta e disse que deveríamos fechar as janelas e nos sentarmos no chão", disse uma estudante, identificada como Kim, à emissora de televisão ZDF.   Veja também: Atirador alemão alertou sobre massacre na internet 'Era arrogante, mas não agressivo', diz treinador Europa apressa-se para restringir armas de fogo  TVs exibem vídeo dos últimos momentos do atirador alemão  Cronologia dos principais ataques contra escolas   O policial Erwin Hetger disse que o código de alerta foi estabelecido por educadores alemães depois do ataque em Erfurt em 2002 como uma forma de alertar os professores. Na ocasião, um jovem de 19 anos, Robert Steinhaeuser, atirou e matou 12 professores, uma secretária e dois estudantes e um policial antes de suicidar-se, no colégio Gutenberng, em Erfurt. Steinhaeuser, que havia sido expulso do colégio após falsificar uma nota, tinha porte de arma e participava de um clube de tiro. Após o ataque, a Alemanha aumentou a idade mínima para a posse de armas, de 18 para 21 anos.   O oficial também informou que a polícia de Baden-Wuerttemburg havia recebido treinamento especial que envolvia o envio de pequenos grupos para o prédio no caso de um ataque a uma escola, como aconteceu na quarta-feira. Segundo Hetger, esse treinamento, além da advertência do diretor, evitou mais mortes.   Depois que o jovem entrou no prédio e abriu fogo, o diretor colocou o plano em prática, divulgando a mensagem "Frau Koma está chegando" aos professores, afirmaram estudantes. Na Alemanha, a palavra "amoklauf" é usada para descrever tiroteios em escolas, e "koma" é a inversão da palavra "amok".   Pai responsabilizado   Autoridades alemãs avaliam se acusarão o pai de Tim Kretschmer pelo incidente. O adolescente pegou a arma, além de uma "grande quantidade da munição" da coleção de 15 armas de fogo de seu pai, informou a polícia. Seu pai, um homem de negócios, era membro do clube local de tiro e mantinha as armas em local fechado, exceto por uma pistola, que era mantida no quarto. Kretschmer usou a pistola Beretta de 9 milímetros que estava registrada legalmente pelo pai. "Tudo aqui aponta para negligência por parte do pai no que se refere ao armazenamento dessa arma", afirmou o porta-voz da polícia Ralf Michelfelder.

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