Colega de Litvinenko diz que serviço secreto controla a Rússia

País seria dominado pelo FSB, o herdeiro da KGB, desde a chegada ao poder de Vladimir Putin

Efe,

11 de novembro de 2007 | 15h45

Yuri Felshtinski, co-autor junto com o falecido ex-espião russo Alexander Litvinenko de um livro que denuncia o "terrorismo de Estado" na Rússia, afirma em entrevista à Agência Efe que o FSB, serviço secreto herdeiro da KGB soviética, "dirige" o país desde a chegada de Vladimir Putin ao poder.   "Pela primeira vez na História os serviços secretos de um país dirigem o Estado a partir do cargo mais alto", denuncia Felshtinski, que lança agora um novo livro escrito em conjunto com Litvinenko ainda em 2003 (em tradução livre: Rússia Dinamitada: tramas secretas e terrorismo de Estado na Federação Russa).   Litvinenko morreu em Londres em 23 de novembro do ano passado vítima de um misterioso envenenamento com a substância radioativa polônio 210. Antes de morrer, ele denunciou que teria sido contaminado por agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB, sigla em russo), herdeiro da KGB.   Segundo Felshtinski, o FSB e o próprio Putin, também ex-agente da KGB, odiavam Litvinenko por ser "o primeiro e único desertor" dos serviços secretos russos desde a queda da URSS. Por isso consideravam "muito importante puni-lo" de modo exemplar.   Mas, desde que Litvinenko fugiu para Londres com esposa e filho em 2000, ele se dedicou a obter dados sobre o envolvimento do FSB nos atentados de 1999 em várias cidades da Rússia que mataram mais de 300 pessoas e que as autoridades do país atribuíram a terroristas chechenos.   A tese do novo livro é que a implantação de explosivos nos alicerces de edifícios em Moscou, Buinaksk e Volgodonsk não foi obra dos separatistas chechenos, que sempre negaram a autoria, mas dos próprios serviços secretos russos.   O objetivo do FSB, como denunciam Felshtinski e Litvinenko, era atribuir os atentados aos chechenos para provocar uma onda de indignação entre a população russa. Isso justificaria uma segunda guerra contra a Chechênia, que na época fugia do controle de Moscou e caminhava para um processo democrático de independência.   A guerra serviria, por sua vez, para aumentar a popularidade de Putin, então havia apenas dois meses no cargo de primeiro-ministro. Meses depois, o político obteve uma ampla vitória nas eleições presidenciais.   Felshtinski, que fugiu da URSS em 1978 e desde então mora nos EUA, diz ter consciência de que, devido a suas denúncias dos crimes do FSB e da guerra na Chechênia, pode ter a mesma sorte de Litvinenko.   Apesar disso, afirma não se proteger com medidas especiais de segurança porque, "como mostra o caso de Litvinenko, se eles querem te matar, farão cedo ou tarde".

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