Com greves, franceses desafiam novamente reforma da previdência

Sindicatos franceses iniciaram na terça-feira uma nova onda de greves contra a reforma previdenciária, desafiando o governo do presidente Nicolas Sarkozy, enquanto a reforma impopular chega mais perto de tornar-se lei.

NICK VINOCUR E JOHN IRISH, REUTERS

12 de outubro de 2010 | 11h39

Trens, aeroportos e portos marítimos funcionaram abaixo de sua capacidade normal, com os sindicatos levando adiante a batalha contra o plano que prevê a elevação da idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos.

A ação nacional, que deve ganhar o reforço de marchas de protesto ao longo do dia, é o teste mais recente da liderança de Sarkozy em relação às reformas, que visam reduzir o déficit crescente da previdência e manter a cobiçada classificação de crédito AAA da França.

As greves parciais reduziram os voos partindo dos aeroportos de Orly e Charles de Gaulle-Roissy, em Paris, em entre metade e um terço.

Um em cada três trens de alta velocidade TGV estava funcionando, embora os serviços internacionais tenham operado com frequência maior, e o metrô de Paris funcionou com trens limitados.

Famílias e estudantes das universidades e escolas secundárias saíram as ruas em marchas de protesto. Muitos se reuniram diante de escolas, e cerca de 300 faculdades ficaram fechadas.

"São os jovens que serão os mais afetados, porque não vão conseguir empregos," disse uma estudante à Reuters TV.

A reforma previdenciária de Sarkozy está se tornando uma das maiores batalhas de sua presidência, colocando-o contra os sindicatos, que já haviam sufocado uma tentativa anterior de reforma previdenciária em 1995.

Na segunda-feira o Senado aprovou a elevação de 65 anos para 67 da idade na qual as pessoas podem aposentar-se com aposentadoria plena. A elevação da idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos já tinha sido aprovada pela casa.

Sarkozy quer que a legislação seja aprovada até o final de outubro e está apostando no enfraquecimento do movimento grevista, especialmente entre os trabalhadores que não recebem quando estão em greve.

Mas líderes sindicais prometeram manter a pressão, com o quarto protesto em pouco mais de um mês.

Jean-Claude Mailly, presidente da confederação sindical mais radical Force Ouvrière, disse a repórteres: "A greve de hoje terá mais manifestantes que as três anteriores," prevendo a presença de mais de 3 milhões de manifestantes.

O governo estimou em pouco menos de 1 milhão os manifestantes que participaram de protestos anteriores. A estimativa dos sindicatos foi de 2,9 milhões de pessoas.

NÃO RECUAR

Os sindicatos franceses marcaram outro dia de protestos para 16 de outubro e vão se reunir na quarta-feira para rever sua posição.

Estão previstos cortes limitados de eletricidade em prédios públicos, graças à greve dos trabalhadores do setor energético.

Na semana passada Sarkozy fez uma pequena concessão na reforma a mulheres de meia-idade que deixaram de trabalhar para criar seus filhos, mas disse que não vai recuar em relação aos pontos chaves da lei.

No sul da França, a greve nos portos chegou ao 16 dia, com trabalhadores denunciando mudanças nas operações nas docas, além da reforma da previdência, e obrigando uma grande refinaria a fechar parcialmente suas operações.

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