Com protestos, jovens tentam despertar os líderes europeus

Prejudicados pela crise econômica mundial, depois da Grécia estudantes se mobilizam de Moscou à Madri

Reuters,

12 de dezembro de 2008 | 15h57

A violência dos protestos realizados por jovens gregos nos últimos dias chocou muitos na Europa, e trouxe um aviso para os líderes do continente, que continuam a discutir formas para enfrentar a crise econômica global. Os sete dias de protestos, que causaram centenas de milhões de euros em prejuízos em 10 cidades gregas, começaram depois que a polícia matou um adolescente no último sábado. Mas as manifestações têm como plano de fundo a alta taxa de desemprego e os baixos salários do país.   Jovens continuam a protestar na Grécia. Foto: AP   Veja também: Confrontos marcam 7.º dia de violência na Grécia Após Grécia, jovens protestam em outros países da Europa Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo    Os jovens revoltados ganharam simpatia de Moscou à Madri. Depois dos protestos na Grécia, alguns jovens rapidamente organizaram manifestações pela internet e mensagens de celular. A motivação disso é a sensação de que os dirigentes estão esquecendo os jovens. "É hora deles ouvirem as pessoas. Nós estamos gritando: 'olha a bagunça em que estamos'", afirmou a professora Stella Nicolakakos, de 35 anos.   Economistas dizem que os líderes da União Européia, que dão os retoques finais em um plano de estímulo de US$ 200 bilhões em Bruxelas, deveriam dar mais atenção à dificuldade em conseguir um emprego após uma década de crescimento, que gerou expectativas de prosperidade.   "Muitos na Europa pensam que estariam imunes à crise. Eles acordaram muito tarde para o fato de que não estão", avaliou Vanessa Rossi, economista e pesquisadora da Chatham House, em Londres. "As implicações para alguns países não são boas, tanto em termos de recessão quanto em distúrbios sociais."   Na Espanha, país cuja taxa de desemprego - a mais alta da Europa - inclina-se para 20% enquanto a crise se aprofunda, jovens atacaram um banco e uma delegacia em Madri e Barcelona, em meio aos protestos na Grécia. Em Roma e Copenhagen, manifestantes de esquerda enfrentaram a polícia, enquanto em Moscou estudantes jogaram bombas contra a embaixada grega.   Na França, dois carros foram incendiados em frente ao consulado da Grécia em Bordeaux. Próximo ao ataques, um grafite dizia: "A insurreição está chegando" e "em apoio aos protestos gregos". "Olhem o que está acontecendo na Grécia", alertou o presidente francês Nicolas Sarkozy a membros de seu partido.   Lembrando violentos protestos que aconteceram no país em 2005, Sarkozy mostrou que teme que as manifestações se espalhem para a França: "A França ama quando estou em uma carruagem com a Carla, mas ao mesmo tempo eles levaram um rei à guilhotina."   Crise na Grécia   Manifestantes gregos voltaram a usar coquetéis molotov e pedras contra a polícia no lado de fora do Parlamento da Grécia nesta sexta-feira, no sétimo dia de protestos violentos após a morte de um adolescente pela polícia.   A tropa de choque usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que carregavam pôsteres dizendo "o Estado mata" e "o governo é culpado de assassinato", para tentar evitar que dezenas deles rompessem o cordão policial.   O premiê Costas Karamanlis disse nesta sexta, em Genebra, que o país pode garantir a segurança de seus cidadãos e que está cumprindo com suas necessidades de financiamento e que isso continuará acontecendo sem problemas. O rendimento dos títulos do país disparou após os dias de protestos.   "A Grécia está cumprindo e vai (continuar a) cumprir suas necessidades de financiamento de forma tranquila", afirmou Karamanlis em entrevista coletiva em Bruxelas e televisionada para a Grécia.   Karamanlis, que chegou ao poder durante a euforia causada pelas Olimpíadas de 2004, em Atenas, anunciou subsídios e medidas de alívio tributário para os mais afetados pelos protestos. Mas muitos lojistas disseram que o governo deveria ter protegido a propriedade deles.   Após quatro anos de governo conservador, uma série de escândalos, incêndios florestais devastadores e medidas econômicas mal sucedidas apagaram o clima otimista de 2004.  

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