Com visita de Putin, Berlusconi retorna ao palco internacional

Líderes da Rússia e da Itália falam sobre cooperação no setor energético e entre companhias aéreas nacionais

FRANCESCA PISCIONERI, REUTERS

18 de abril de 2008 | 12h26

Silvio Berlusconi regressou nesta sexta-feira, 18, ao cenário da diplomacia internacional ao receber o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e propalar uma amizade que, segundo disse, seria vantajosa para a Itália e o mundo. O evento, porém, perdeu uma parcela de seu glamour quando Putin viu-se forçado, diante das câmeras de TV, a negar as informações de que teria se divorciado secretamente de sua mulher e que pretendia casar-se com uma campeã de ginástica olímpica.   Veja também: Putin nega planos de se casar com ginasta de 24 anos Berlusconi, eleito para um terceiro mandato como primeiro-ministro da Itália, deu as boas-vindas ao líder russo em sua vila de veraneio, na ilha da Sardenha, um ambiente informal feito sob medida para destacar a natureza pessoal da relação mantida pelos dois. Depois de uma noite de celebrações na quinta-feira, que incluiu um musical de comédia, Berlusconi e Putin realizaram uma entrevista coletiva e falaram sobre uma cooperação no setor energético e uma eventual cooperação entre suas companhias aéreas nacionais. Após meses de especulação envolvendo a Aeroflot, Putin disse que a empresa russa poderia dar início a negociações sobre oferecer apoio à Alitalia, que está perto da falência. "Tudo fica mais fácil se há uma relação de estima mútua, uma relação de confiança, uma relação de respeito e de amizade", disse aos repórteres Berlusconi, que deve tomar posse no começo de maio. O futuro dirigente acrescentou que sua profunda amizade com Putin permitia aos dois países uma melhor compreensão um do outro - algo que, segundo Berlusconi, serviria "aos interesses não apenas dos nossos dois países, mas, creio eu, do mundo todo". O líder russo e o premiê eleito aproximaram-se durante o último mandato de Berlusconi (de 2001-2006), quando o foco deste último sobre a Rússia, Israel e os EUA isolou a Itália dentro da União Européia (UE).  Após as eleições gerais de 13 e 14 de abril, Berlusconi, um magnata da mídia bilionário, disse que ajudará a UE a reconquistar a influência supostamente perdida desde que ele saiu do poder. O futuro premiê afirmou desejar ampliar os laços que se aprofundaram bastante em 2006, quando, sob o comando de Romano Prodi, o primeiro-ministro italiano hoje em final de mandato, a Itália e a Rússia assinaram uma parceria nos setores de gás e petróleo por meio da Gazprom e da Eni . Mas o civilizado evento sofreu um inesperado revés logo ao iniciar-se. O jornalista de um diário russo perguntou a Putin sobre as reportagens dando conta de que havia se divorciado de sua mulher, Lyudmila, para casar-se com Alina Kabayeva, 24, campeã de ginástica olímpica. "Não há um pingo de verdade nisso que você disse," afirmou o líder russo. "Sempre reagi negativamente àqueles que, com seus narizes intrometidos e fantasias eróticas, invadem a vida dos outros."

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