Comandante militar turco diz que presidente deve ser laico

Militares esperam que novo líder mantenha valores, e afirmam que não haverá mudança no país

PAUL DE BENDERN E SELCUK GOKOLUK, REUTERS

30 Julho 2007 | 20h06

O chefe do Estado-Maior das ForçasArmadas turcas reiterou na segunda-feira que os militaresesperam que o próximo presidente da República mantenha osvalores laicos do país, num sinal de que ainda restam tensõescom o governo, de orientação islâmica. "Ainda mantemos o que dissemos, não há mudança", disse ogeneral Yasar Buyukanit a jornalistas, quando questionado sobrese mantinha declarações feitas em 12 de abril, insistindo que opróximo chefe de Estado tenha genuínas credenciaisnão-religiosas. "Dissemos o que dissemos com convicção", afirmou ele em umarecepção oficial num quartel em Ancara. Os militares são há décadas os guardiões do caráter laicodo governo turco, mas não haviam se manifestado desde que oprimeiro-ministro Tayyip Erdogan, do partido pró-islâmico AK,obteve uma expressiva vitória na eleição parlamentar de 22 dejulho. Erdogan antecipou essa eleição em vários meses depois que aelite laica do país, com apoio do Exército, vetou sua escolhade um aliado ex-militante islâmico, o chanceler Abdullah Gul,para o cargo de presidente. O Parlamento deve se reunir no sábado, e sua primeiratarefa importante será escolher o novo presidente, que sucederáao rigidamente laico Ahmet Necdet Sezer, que tem boas relaçõescom as Forças Armadas e faz duras críticas ao AK.

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