Começa cúpula para mudar relação entre UE e África

Objetivo é susbtituir a dinâmica doador-receptor por um regime de cooperação entre os continentes

EFE,

08 de dezembro de 2007 | 10h39

Oitenta países da União Européia (UE) e da África iniciam neste sábado, 8, uma cúpula em Lisboa - a primeira em sete anos -, na qual tentarão introduzir uma forma de relação baseada na cooperação. "Hoje será a data de nascimento de uma nova fase de cooperação: vamos enterrar o princípio doador-receptor", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn.   "Vamos colaborar não apenas para o alcance do desenvolvimento, mas também em política energética e em assuntos internacionais", disse Asselborn. A cúpula, no entanto, está sendo marcada pela presença do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, cujo regime é acusado de violar os direitos humanos e que, ao confirmar sua participação, motivou a ausência do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.   "Vamos iniciar uma mudança de natureza nas relações entre a UE e a África", afirmou o comissário europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, sobre o encontro.   "Será fortalecida a relação entre a UE e a África", disse, por sua vez, a secretária de Estado do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional, Valerie Amos, que preside a delegação britânica e não fazer comentários a respeito de Mugabe. Na sexta-feira, o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, já havia afirmado que a presença de Mugabe se tornara um dos temas mais polêmicos da cúpula.   Com o encontro iniciado hoje, UE e África tentam lançar novas formas de cooperação nas áreas ambiental, energética, de comércio, de cooperação regional e de segurança. A previsão é que a cúpula termine com um plano de ação aprovado para o período de 2008 a 2010.   A cúpula já assistiu também a uma troca de farpas entre o líder líbio Muamar Kadafi e Michel, sobre a responsabilidade dos povos europeus para com suas ex-colônias.   Mais cedo, Kadafi havia dito que a Europa deveria indenizar os povos africanos.   "Os antigos colonizadores já pagaram somas consideráveis durante décadas", disse Michel, referindo-se aos programas de ajuda à África. "Essas somas nem sempre foram usadas da melhor forma, mas continuam a ser concedidas".

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