Começa em Munique julgamento do ex-carcereiro nazista Demjankuk

Começou nesta segunda-feira o julgamento do ex-carcereiro nazista John Demjankuk, de 89 anos, acusado de participar da morte de 27,9 mil judeus em 1943 no campo de extermínio de Sobibor.

MADELINE CHAMBERS, REUTERS

30 Novembro 2009 | 11h32

Ele chegou numa cadeira de rodas àquele que deve ser o último grande julgamento de um nazista na Alemanha. Estava reclinado, enrolado em um cobertor azul claro, e usava boné. De olhos fechados, murmurava algo para si mesmo.

O filho dele, John Jr., disse que seu pai ficou cinco dias hospitalizado na semana passada para se submeter a exames e a uma transfusão de sangue, devido a uma doença na medula óssea. "Eles estão forçando para que o julgamento siga adiante a despeito da condição do meu pai", afirmou ele em nota à Reuters.

Por causa da fragilidade do réu, o julgamento terá apenas duas sessões diárias de 90 minutos cada. Seu advogado Guenther Maull disse que Demjankuk padece de dores e passa por períodos de ausência mental.

O julgamento, acompanhado por mais de 200 jornalistas, deve durar até maio.

Demjankuk estava no topo da lista de criminosos de guerra mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal. Parentes das vítimas e grupos judaicos dizem que nunca é tarde demais para que haja justiça, e que o caso dele é simbólico.

"Não vim me vingar de Demjankuk. Vim explicar como era em Sobibor", disse Thomas Blatt, cuja família foi morta no campo, em 1943, e que aos 15 anos recebeu ordens para separar os pertences de judeus que seriam enviados às câmaras de gás.

"Um guarda em outro lugar, numa prisão, ou num campo de concentração, estava vigiando para que os prisioneiros não pudessem escapar", disse Blatt, de 82 anos. "Mas um guarda em uma fábrica da morte, um campo de extermínio, era um assassino. Ele ajudou a assassinar pessoas."

Demjankuk, que nasceu na Ucrânia e lutou no Exército Vermelho antes de ser capturado pelos nazistas e recrutado como carcereiro, migrou em 1951 para os EUA, onde se naturalizou em 1958 e trabalhou no setor automobilístico. Ele foi extraditado em maio.

Ele nega envolvimento no Holocausto, e sua família alega que ele não tem mais condições físicas para ser julgado.

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