Will Oliver/EFE
Will Oliver/EFE

Começa movimentação para substituir Cameron no Reino Unido

Após vitória do Brexit, premiê anunciou sua renúncia e abriu disputa por liderança no Partido Conservador

Londres

26 Junho 2016 | 14h46

A decisão de David Cameron de renunciar ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido põe em movimento uma batalha pela liderança do Partido Conservador, atualmente no governo, que também irá determinar o próximo premiê. Entre os possíveis candidatos estão o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, que liderou a campanha para a saída do país da União Europeia, e a ministra para assuntos internos Theresa May, que ficou ao lado de Cameron em seu apoio à continuidade do Reino Unido no bloco.

O futuro econômico e político do Reino Unido, e também se o país continuará unido, vai direcionar a forma como os candidatos vão lidar com o fim da relação de 43 anos com a UE. Outra força política importante do Reino Unido, o oposicionista Partido Trabalhista, também enfrenta turbulência, já que alguns de seus parlamentares pedem a renúncia do líder Jeremy Corbyn.

Depois da derrota no referendo da semana passada, Cameron disse que vai permanecer no cargo nos próximos três meses, e que o objetivo é escolher um novo líder durante a conferência anual do Partido Conservador, em outubro. "Quem quer que seja, existem dois desafios reais", disse Richard Ottaway, um antigo político do Partido Conservador que deixou o cargo de parlamentar no ano passado. "Uma delas é, obviamente, liderar as negociações sobre a Europa, mas a segunda é unir o Partido Conservador. Ambas as questões representam desafios sérios."

O momento para a disputa pela liderança é definida pelo Comitê 1922, um grupo influente de todos os legisladores conservadores com posições secundárias no Parlamento. Graham Brady, presidente do órgão, disse que seu comitê executivo provavelmente vai fixar um calendário para a competição nesta segunda-feira (27). A diretoria do partido, que é composto por membros e legisladores, pode ratificar o cronograma na terça-feira.

Johnson, no passado, falou do interesse em ser primeiro-ministro, mas se recusou a comentar sobre as ambições de liderança nos últimos meses. Jacob Rees-Mogg, parlamentar conservador que apoiou a saída do Reino Unido da UE, disse que seria "muito difícil" para um político que apoiou a continuidade da adesão se tornar o próximo líder do partido. Para ele, Andrea Leadsom também seria um forte concorrente na disputa.

Outro conservador proeminente na campanha para sair da UE foi secretário de Justiça, Michael Gove. Gove e Johnson têm sido as escolhas mais populares de partidários conservadores nas sondagens recentes sobre potenciais futuros líderes conduzidas pelo site ConservativeHome.

Antes do referendo, Gove disse que não considerava a hipótese de disputar a eleição, caso o cargo ficasse vago. O jornal Sunday Times informou que Gove disse a Johnson, por telefone no sábado, que iria apoiá-lo para uma oferta liderança conservadora.

O processo de escolha de um novo líder conservador é duplo. Em primeiro lugar, os legisladores conservadores nomeiam os candidatos. Se houver mais de duas indicações, eles realizam uma série de pleitos até que a lista seja reduzida a dois candidatos. Depois, o processo é aberto para votação dos 150 mil filiados. O processo pode levar cerca de dois meses para ser concluído. Dow Jones Newswires.

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