AFP PHOTO / JAVIER SORIANO
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União Europeia apoia ordem constitucional na Espanha

A Comissão afirmou que a violência não é solução, e reiterou sua confiança no primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 09h37

GENEBRA - A União Europeia não irá reconhecer o plebiscito na Catalunha e insiste que a votação violou as regras internas na Espanha. Em entrevista nesta segunda-feira, 2, em Bruxelas, o porta-voz do bloco, Margaritis Schinas, disse que a  violência não é solução, e estimulou a unidade do país apoiando a liderança do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy

“Nós pedimos que todos os agentes relevantes se movam rapidamente do confronto ao diálogo. A violência nunca pode ser um instrumento na política”, afirmou Schinas, após cenas de violência durante o referendo de independência na Catalunha, neste domingo, que o governo de Madri e tribunais declararam inconstitucional.

Também condenando a “divisão e fragmentação”, o porta-voz acrescentou que o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, irão conversar ainda hoje. Suas equipes estavam em contato durante o final de semana.

Schinas se recusou a comentar se a “violência” que a União Europeia estava condenando foi a praticada pela polícia espanhola. Ele também pediu por “unidade e estabilidade”, em um momento em que líderes da Catalunha estão considerando uma declaração unilateral de independência.

Durante a entrevista, Schinas lembrou que, na medida em que o referendo não foi organizado de acordo com a Constituição espanhola, implicaria que o território da Catalunha pode ficar de de fora da União Europeia. "Segundo a Constituição espanhola, o voto de ontem na Catalunha não foi legal", disse. 

Declaração de independência. O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, se reúne nesta segunda-feira, 2, de forma extraordinária com o seu governo para analisar o cenário aberto após o referendo de ontem, considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional (TC) da Espanha.

Na reunião estará sobre a mesa uma hipotética declaração unilateral de independência no Parlamento regional, os incidentes de ontem durante a votação com a intervenção das forças de segurança nos colégios eleitorais, a atuação da Polícia regional da Catalunha e a greve geral convocada para amanhã, dia 3 de outubro, entre outras questões.

Em discurso televisionado após o fechamento dos locais de votação, Puigdemont disse que a Catalunha "ganhou o direito de se tornar um Estado independente", e que o "Estado espanhol escreveu outra página vergonhosa em sua história com a Catalunha".

O jornal La Vanguardia informou, citando o chefe do grupo Omnium Cultural, Jordi Cuixart. que grupos pró-independência e sindicatos da Catalunha convocaram uma greve geral na região espanhola para esta terça-feira, 3 de outubro. / COM EFE e REUTERS

 


 

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