Comissão recomenda tirar túmulo de Franco do Vale dos Caídos

Uma comissão nomeada pelo governo espanhol recomendou nesta terça-feira que o corpo do ditador espanhol Francisco Franco seja retirado do polêmico local que ocupa atualmente, no chamado Vale dos Caídos, nos arredores da capital Madri.

EMMA PINEDO, REUTERS

29 de novembro de 2011 | 19h25

O grupo - formado pelo governo socialista que deixará o poder dentro de algumas semanas - sugeriu também a criação de um centro de informações para explicar a história do Vale dos Caídos, onde estão sepultados 33.840 combatentes de ambos os lados da Guerra Civil Espanhola (1936-39).

O gigantesco mausoléu, escavado numa montanha rochosa, a cerca de uma hora de carro da capital, é apontado por críticos como o único monumento ainda existente na Europa em homenagem a um líder fascista.

"Para que o Vale dos Caídos receba um novo significado, livre de conotações ideológicas e políticas, ele deve ser reservado para os restos das vítimas da guerra. Franco é a única pessoa enterrada lá que não morreu na guerra", disse em entrevista coletiva Virgilio Zapatero, copresidente da comissão.

Franco morreu em 1975, de causas naturais, após dirigir a Espanha por 36 anos.

As conclusões da comissão podem não dar em nada, já que o Partido Socialista foi fragorosamente derrotado na eleição parlamentar de 20 de novembro - aniversário da morte de Franco.

O Partido Popular (centro-direita), que formará o novo governo em meados de dezembro, não tomou partido no debate sobre o Vale dos Caídos.

No passado, porém, o PP se opôs reiteradamente a um exame oficial da Guerra Civil e da subsequente ditadura franquista, alegando que isso reabriria feridas do passado.

(Reportagem de Emma Pinedo)

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